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quarta-feira, 28 de março de 2007

A Igreja ao Gosto do Freguês



T. A. McMahon



O movimento chamado "igreja ao gosto do freguês" está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes (que um dos seus líderes chama de "desigrejados" ou "João e Maria desigrejados"). A pesquisa questiona os que não freqüentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os "desigrejados", mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas. Praticamente falando, dá certo!


Duas igrejas são consideradas modelos desse movimento: Willow Creek Community Church (perto de Chicago), pastoreada por Bill Hybels, e Saddleback Valley Church (ao sul de Los Angeles) pastoreada por Rick Warren. Sua influência é inacreditável. Willow Creek formou sua própria associação de igrejas, com 9.500 igrejas-membros. Em 2003, 100.000 líderes de igrejas assistiram no mínimo a uma conferência para líderes realizada por Willow Creek. Acima de 250.000 pastores e líderes de mais de 125 países participaram do seminário de Rick Warren ("Uma Igreja com Propósitos"). Mais de 60 mil pastores recebem seu boletim semanal.


Visitamos Willow Creek há algum tempo. Pareceu-nos que essa igreja não poupa despesas em sua missão de atrair as massas. Depois de passar por cisnes deslizando sobre um lago cristalino, vê-se o que poderia ser confundido com a sede de uma corporação ou um shopping center de alto padrão. Ao lado do templo existe uma grande livraria e uma enorme área de alimentação completa, que oferece cinco cardápios diferentes. Uma tela panorâmica permite aos que não conseguiram lugar no santuário ou que estão na praça de alimentação assistirem aos cultos. O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.


Sem dúvida, Willow Creek é imponente, mas não é a única megaigreja que tem como alvo alcançar os perdidos através dos mais variados métodos. Megaigrejas através dos EUA adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, espaços para guardar equipamentos, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds, tudo para o progresso do Evangelho. Pelo menos é o que dizem. Ainda que algumas igrejas estejam lotadas, sua freqüência não é o único elemento que avaliamos ao analisar essa última moda de "fazer igreja".


O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de "o guru do crescimento da igreja", diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?


Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é "loucura para os que se perdem" e que Cristo é uma "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8).
Megaigrejas adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds.


Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.
Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.


Essas questões podem não importar a um número cada vez maior de pastores evangélicos, mas, ironicamente, estão se tornando evidentes para alguns observadores seculares. Em seu livro The Little Church Went to Market (A Igrejinha foi ao Mercado), o pastor Gary Gilley observa que o periódico de marketing American Demographics reconhece que as pessoas estão:
...procurando espiritualidade, não a religião. Por trás dessa mudança está a procura por uma fé experimental, uma religião do coração, não da cabeça. É uma expressão de religiosidade que não dá valor à doutrina, ao dogma, e faz experiências diretamente com a divindade, seja esta chamada "Espírito Santo" ou "Consciência Cósmica" ou o "Verdadeiro Eu". É pragmática e individual, mais centrada em redução de stress do que em salvação, mais terapêutica do que teológica. Fala sobre sentir-se bem, não sobre ser bom. É centrada no corpo e na alma e não no espírito. Alguns gurus do marketing começaram a chamar esse movimento de "indústria da experiência" (pp. 20-21).


Existe outro item que muitos pastores parecem estar deixando de considerar em seu entusiasmo de promover o crescimento da igreja atraindo os não-salvos. Mesmo que os números pareçam falar mais alto nessas "igrejas ao gosto do freguês" (um número surpreendente de igrejas nos EUA (841) alcançaram a categoria de megaigreja, com 2.000 a 25.000 pessoas presentes nos finais de semana), poucos perceberam que o aumento no número de membros não se deve a um grande número de "desigrejados" juntando-se à igreja.
Durante os últimos 70 anos, a percentagem da população dos EUA que vai à igreja tem sido relativamente constante (mais ou menos 43%). Houve um crescimento, chegando a 49% em 1991 (no tempo do surgimento dessa nova modalidade de igreja), mas tal crescimento diminuiu gradualmente, retornando a 42% em 2002 (www.barna.org). De onde, então, essas megaigrejas, que têm se esforçado para acomodar pessoas que nunca se interessaram pelo Evangelho, conseguem seus membros? Na maior parte, de igrejas menores que não estão interessadas ou não têm condições financeiras de propiciar tais atrações mundanas. O que dizer das multidões de "desigrejados" que supostamente se chegaram a essas igrejas? Essas pessoas constituem uma parcela muito pequena das congregações. G.A. Pritchard estudou Willow Creek por um ano e escreveu um livro intitulado Willow Creek Seeker Services (Baker Book House, 1996). Nesse livro ele estima que os "desigrejados", que seriam o público-alvo, constituem somente 10 ou 15% dos 16.000 membros que freqüentam os cultos de Willow Creek.


O Evangelho e a pessoa de Jesus Cristo não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos.
Se essa percentagem é típica entre igrejas "ao gosto do freguês", o que provavelmente é o caso, então a situação é bastante perturbadora. Milhares de igrejas nos EUA e em outros países se reestruturaram completamente, transformando-se em centros de atração para "desigrejados". Isso, aliás, não é bíblico. A igreja é para a maturidade e crescimento dos santos, que saem pelo mundo para alcançar os perdidos. Contudo, essas igrejas voltaram-se para o entretenimento e a conveniência na tentativa de atrair "João e Maria", fazendo-os sentirem-se confortáveis no ambiente da igreja. Para que eles continuem freqüentando a "igreja ao gosto do freguês", evita-se o ensino profundo das Escrituras em favor de mensagens positivas, destinadas a fazer as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas. À medida que "João e Maria" continuarem freqüentando a igreja, irão assimilar apenas uma vaga alusão ao ensino bíblico que poderá trazer convicção de pecado e verdadeiro arrependimento. O que é ainda pior, os novos membros recebem uma visão psicologizada de si mesmos que deprecia essas verdades. Contudo, por pior que seja a situação, o problema não termina por aí.


A maior parte dos que freqüentam as "igrejas ao gosto do freguês" professam ser cristãos. No entanto, eles foram atraídos a essas igrejas pelas mesmas coisas que atraíram os não-crentes, e continuam sendo alimentados pela mesma dieta biblicamente anêmica, inicialmente elaborada para não-cristãos. Na melhor das hipóteses, eles recebem leite aguado; na pior das hipóteses, "alimento" contaminado com "falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam" (2 Tm 6.20). Certamente uma igreja pode crescer numericamente seguindo esses moldes, mas não espiritualmente.


Além do mais, não há oportunidades para os crentes crescerem na fé e tornarem-se maduros em tal ambiente. Tentando defender a "igreja ao gosto do freguês", alguns têm argumentado que os cultos durante a semana são separados para discipulado e para o estudo profundo das Escrituras. Se esse é o caso, trata-se de uma rara exceção e não da regra!
Como já notamos, a maioria dessas igrejas, no uso do seu tempo, energia e finanças tem como alvo acomodar os "desigrejados". Conseqüentemente, semana após semana, o total da congregação recebe uma mensagem diluída e requentada. Então, na quarta-feira, quando a congregação usualmente se reduz a um quarto ou a um terço do tamanho normal, será que esse pequeno grupo recebe alimentação sólida da Palavra de Deus, ensino expositivo e uma ênfase na sã doutrina? Dificilmente. Nunca encontramos uma "igreja ao gosto do freguês" onde isso acontecesse. As "refeições espirituais" oferecidas nos cultos durante a semana geralmente são reuniões de grupos e aulas visando o discernimento dos dons espirituais, ou o estudo de um "best-seller" psico-cristão, ao invés do estudo da Bíblia.


Talvez o aspecto mais negativo dessas igrejas seja sua tentativa de impressionar os "desigrejados" ao mencionar especialistas considerados autoridades em resolver todos os problemas mentais, emocionais e comportamentais das pessoas: psicólogos e psicanalistas. Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão. Seus milhares de conceitos e centenas de metodologias não-comprovados são contraditórios e não científicos, totalmente não-bíblicos, como já documentamos em nossos livros e artigos anteriores. Pritchard observa:
...em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels" (p. 156).


Durante minha visita a Willow Creek, o pastor Hybels trouxe uma mensagem que começou com as Escrituras e se referia aos problemas que surgem quando as pessoas mentem. Contudo, ele se apoiou no psiquiatra M. Scott Peck, o autor de The Road Less Travelled (Simon & Schuster, 1978) quanto às conseqüências desastrosas da mentira. Nesse livro, M. Scott Peck declara (pp. 269-70): "Deus quer que nos tornemos como Ele mesmo (ou Ela mesma)"!
Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão.


A Saddleback Community Church está igualmente envolvida com a psicoterapia. Apesar de se dizer cristocêntrica e não centrada na psicologia, essa igreja tem um dos maiores números de centros dos Alcoólicos Anônimos e patrocina mais de uma dúzia de grupos de ajuda como "Filhos Adultos Co-Dependentes de Viciados em Drogas", "Mulheres Co-Viciadas Casadas com Homens Compulsivos Sexuais ou com Desordens de Alimentação" e daí por diante. Cada grupo é normalmente liderado por alguém "em recuperação" e os autores dos livros usados incluem psicólogos e psiquiatras (www.celebraterecovery.com). Apesar de negar o uso de psicologia popular, muito dela permeia o trabalho de Rick Warren, incluindo seu best-seller The Purpose Driven Life (A Vida Com Propósito), que já rendeu sete milhões de dólares. Em sua maior parte, o livro fala de satisfação pessoal, promove a celebração da recuperação e está cheio de psicoreferências tais como "Sansão era dependente".


A mensagem principal vinda das igrejas psicologicamente motivadas de Willow Creek e Saddleback é a de que a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo são insuficientes para livrar uma pessoa de um pecado habitual e para transformá-la em alguém cuja vida seja cheia de fruto e agradável a Deus. Entretanto, o que essas igrejas dizem e fazem tem sido exportado para centenas de milhares de igrejas ao redor do mundo.


Grande parte da igreja evangélica desenvolveu uma mentalidade de viagem de recreio em um cruzeiro cheio de atrações, mas isso vai resultar num "Titanic espiritual". Os pastores de "igrejas ao gosto do freguês" (e aqueles que estão desejando viajar ao lado deles) precisam cair de joelhos e ler as palavras de Jesus aos membros da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-21). Eles eram "ricos e abastados" e, no entanto, deixaram de reconhecer que aos olhos de Deus eram "infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus". Jesus, fora da porta dessas igrejas, onde O colocaram desapercebidamente, oferece Seu conselho, a verdade da Sua Palavra, o único meio que pode fazer com que suas vidas sejam vividas conforme Sua vontade. Não pode existir nada melhor aqui na terra e na Eternidade!




Autor: T. A. McMahon

Texto e Imagem extraídos do site http://www.chamada.com.br/
Publicado anteriormente na
revista Chamada da Meia-Noite, março de 2005.

domingo, 25 de março de 2007

Um Novo Cântico


Autor: Paul Proctor
Parte 1


Rick Warren escreveu em um artigo recente publicado em www.Pastors.com que "Não existe música cristã. O que existe são letras cristãs", implicando que toda e qualquer música é aceitável para a adoração contanto que as letras sejam "cristãs"- seja lá o que isso signifique. Eu diria ao pastor Warren que se o grupo AC/DC fornecesse a música de adoração em sua igreja na próxima manhã de domingo, poucos de seus membros e frequentadores seriam capazes de se certificarem se as letras eram "cristãs" ou não devido ao nível de decibéis estridente criado somente pela instrumentação. Minha pergunta é: Sob essas circunstâncias, que diferença as letras fariam?


Na consideração dos "estilos musicais" julgados apropriados ou não para a igreja e a adoração, muitos acreditam hoje que a música, separada de sua letra, é amoral - o que quer dizer que ela não é nem boa nem má. Geralmente, essas são as mesmas pessoas que aceitam a noção humanista de que não existe nenhum absoluto - que o mundo em que vivemos não é nem preto nem branco, mas somente cinzento e relativo. O fato é que a música é uma obra, uma realização, uma ação e um produto da iniciativa humana que pode ser tão moral ou imoral quanto aquele que a executa. Os "progressistas" de hoje dentro do movimento de crescimento de igreja orientado para resultados e sensível aos buscadores, que está atualmente espalhando seus métodos na corrente dominante da vida da igreja, gostariam de nos fazer reconsiderar o que é bom e mau para a adoração e ao mesmo tempo sugerir que é vontade de Deus para você e para mim experimentarmos coisas novas e emocionantes simplesmente por que nunca as experimentamos antes. Isso soa como a lógica da serpente para mim. E, a propósito, pode alguém do novo paradigma me mostrar onde a Bíblia incentiva a experimentação em questões espirituais? Engraçado, eu sempre pensei que era obediência que Deus queria.


Certamente, o Senhor não deu nenhum mandamento que diga "Não tocarás Rock and Roll na igreja aos domingos" mas também não disse "Não realizarás os serviços da igreja no meio de um cruzamento movimentado". Algumas coisas são realmente óbvias. Tendo saído de uma vida de tocar muitos estilos musicais profissionalmente, eu tinha a mesma mentalidade pragmática que os aderentes do Movimento de Crescimento da Igrejas. Francamente, tal atitude é muito comum entre os músicos. Cedo em minha caminhada cristã, tentei incorporar meus gostos barulhentos e exóticos em música em minha vida cristã, não percebendo naquele tempo que os dois eram em grande parte incompatíveis - que, na realidade, meu "gosto musical" tinha um efeito adverso em minhas atitudes e comportamento como cristão. Infelizmente, eu era demasiado egoísta e imaturo para aceitar isso.


A música é muito parecida com o álcool e as drogas. Ela pode ser muito enganadora e destrutiva quando mal empregada e pode distorcer as emoções, o raciocínio, o julgamento, a perspectiva e o comportamento da pessoa. A pressão dos pares somente piora as coisas. A música, com ou sem letras, pode ser uma força muito poderosa em nossas vidas. A razão é que os instrumentais sozinhos podem produzir lágrimas nos olhos ou gritos de uma multidão antes mesmo que uma única palavra seja cantada. Do mesmo modo, outras emoções podem facilmente ser despertadas por melodias e por ritmos sem letras tendo com resultado a alegria, a felicidade, o entusiasmo, a ira, a amargura, a depressão e a raiva. Dizer que a música sem letras é amoral é como dizer que a música sem letras não mexe com as emoções. É um absurdo.


Como Kimberly Smith escreveu em seu livro: Let Those Who Have Ears To Hear (Quem Tem Ouvidos, Ouça), a música tem uma mensagem própria, independente da letra. Se você duvidar disso, observe o que as pessoas fazem em uma multidão quando músicas em volume alto e com batidas fortes são tocadas. Sob o poder e a influência da música e das batidas, elas moverão os braços, pernas, pés, mãos, quadris, cabeças, pescoços, dedos e mesmo seus rostos de formas como NUNCA fariam em uma sala silenciosa ou em um salão de igreja repleto de pessoas. Observe então ao que elas fazem quando a música suave e delicada é tocada. Elas se tornam tão tranqüilas e delicadas quanto a música. Não são as palavras que compelem nossos corpos a responder. É a música. Por que? Porque, OUTRA VEZ, a música tem uma mensagem própria - uma mensagem estimuladora que pode ou não ser consistente com as palavras que estão sendo cantadas.


Combinar mensagens gentis, amáveis e evangélicas com música alta, agressiva, raivosa ou sugestiva somente confunde o ouvinte no sentido de justificar e aceitar quaisquer sentimentos, emoções, pensamentos e atitudes que possam surgir. Embalar a música sensual ou romântica com letras preenchidas com graça e mensagens amáveis meramente disfarça o perigo de enganar e desarmar um ouvinte que normalmente teria discernimento, e levá-lo a aceitar o inaceitável - freqüentemente resultando em confusão, dissipação, desapontamento e derrota. É como dizer que é aceitável beber muito álcool contanto que esteja misturado com suco de fruta. A verdade é que os efeitos intoxicantes do álcool sempre se sobreporão e anularão quaisquer benefícios à saúde que o suco puder oferecer.


O volume em que a música é tocada é outra área em que os limites devem ser colocados para facilitar a adoração. Exceder esses limites pode ser não somente contraprodutivo, mas também muito perigoso. Aprendi muito tempo atrás que quanto mais alta e mais agressiva era a música em meu carro, mais rápido, mais agressiva e mais irrefletidamente eu dirigia. Não é nada diferente no trabalho, em casa, na escola ou na igreja. Se a música errada é tocada na adoração OU mesmo se a música certa for tocada da maneira errada, todos os efeitos positivos serão perdidos. Mesmo uma boa canção pode ser tocada tão ruidosamente em uma sala cheia de pessoas que elas são forçadas a tapar seus ouvidos e correr para fora, provocando uma circunstância conhecida como a "Síndrome do Lutar ou Voar". Exatamente como todos têm seu próprio gosto em música, todos têm seu próprio ponto inicial de tolerância com relação ao volume. Respeitar os limites e ter consideração altruísta pelos outros são essenciais em agradar a Deus, não somente na vida diária mas também na adoração na igreja aos domingos. É por isso que os princípios bíblicos de moderação e humildade são sempre apropriados.


Você sabia que música em um volume alto é tão insalubre que com o tempo, pode prejudicar seu sistema imunológico e danificar permanentemente o desempenho das glândulas supra-renais e causar mais tarde diversos problemas físicos e emocionais na vida - desde depressão até fadiga e alergias, pressão alta, dor nas juntas, fraqueza muscular, constipação e muito mais - ALÉM de o deixar surdo? Sendo esse o caso, você consideraria que o Rock cristão ser executado domingo na igreja a 110 decibéis seja bom ou mau? Algo assim torna o assunto da letra cristã irrelevante, não é?


Embora existam muitas maneiras para julgar qual música é apropriada para a adoração, depois de muito estudo, muita reflexão e muita oração, cheguei à conclusão que a música de alguém, assim como o caráter da pessoa é definido melhor pela atitude. Nossa música de adoração transmite o fruto do Espírito conforme delineado nas Escrituras ou incentiva e celebra nossa natureza pecaminosa e os impulsos da carne?
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei." [Gálatas 5:22-23]
Procuramos adorar ao Ancião de Dias com nossa música ou tentamos estimular, gratificar e entreter a nós mesmos usando o que quer que traga o maior número de pessoas e os mais altos aplausos? Nossa música exalta um Deus que não é dado à celebridade, modas, apetites ou devaneios ou serve para exaltar algo ou alguma outra pessoa mais? Nosso cântico louva ao servo sofredor, a Cristo, que foi crucificado e que ressuscitou, ou uma cultura que contemporiza com a lascívia e a vaidade? Estamos oferecendo o cântico a Deus ou aos homens? Nosso canto é diferente das cantigas do mundo ou, com exceção das letras, é quase a mesma coisa? Se nosso estilo de vida for como nosso estilo musical, em nada diferindo do estilo do mundo, que diferença farão as letras "cristãs"?
O Salmo 33:3 diz: "Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo."


Muitas das personalidades do Movimento de Crescimento de Igrejas e da Música Cristã Contemporânea de hoje tentarão persuadi-lo que o salmista quer dizer nesse verso que devemos descartar os hinos antigos, os estilos antigos, os modos antigos, os instrumentos antigos, os músicos antigos e os cantores antigos e tocar somente aquilo que for mais recente e em volume mais alto na música cristã contemporânea, seja Rock, hip hop, grunge, metal, jazz, R & B, ou o que quer que faça as pessoas se SENTIREM BEM e os céus se abalarem.
Ou estava o salmista, em vez disso, nos encorajando a cantar sem sentir vergonha de nossa nova vida em Cristo - uma caminhada cheia do Espírito Santo, em arrependimento, fé, humildade e sacrifício, crucificando a carne diariamente em obediência, disciplina, dedicação, perseverança, gratidão e louvor?


Parte 2


"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras." [Tito 2:13-14]


O que é adoração? Conforme compreendo, adoração é vir diante do Senhor como um povo santo e peculiar, em obediência, humildade, reverência, arrependimento e fé com uma atitude da gratidão, para cantar louvores e glorificar Seu nome, ouvir Sua palavra, e honrá-lo com o todo nosso ser por tudo o que Ele é e pelo que tem feito.


Ao contrário das tendências populares, adoração NÃO é se reunir com todos para festejar em nome de Jesus e nos sentirmos bem conosco mesmos com música e psicoterapia intoxicante.
Claramente, o Senhor não quer que aqueles que são seus pareçam, ajam, e soem como cada outro pecador na rua. Ele quer que sejamos diferentes, distintos, santificados e santos de modo que todos saibam que pertencemos a Ele e não ao mundo. Mas, se formos indistingüíveis do mundo, seremos piores do que inúteis; seremos um insulto e um embaraço e estaremos demonstramos que não somos Dele de forma alguma.


Por que, então, sob o pretexto do pragmatismo, temos nos dedicado a fazer a igreja se parecer, agir e soar exatamente como o mundo não transformado, não arrependido e não regenerado ao nosso redor - basicamente enchendo nossas fortalezas com o inimigo para fazer com que eles se SINTAM como aliados? Como isso glorifica a Deus e propaga o evangelho do arrependimento e da fé em Cristo? Não é a proclamação da nossa transformação e redenção de um estado de perdição e de morte espiritual para sermos uma "nova criatura" [2 Coríntios 5:17] aquilo que o salmista quis dizer com "cantai-lhe um cântico novo..." - para mostrar ao mundo que somos agora um "povo peculiar", separado para Deus, e para Ele unicamente?
Assim, quem está aprendendo a cântico de quem aqui? Quem está fazendo de quem um prosélito?
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" [1 Pedro 2:9]
Será que estamos agora receosos de sermos "peculiares" - com vergonha de quem somos e a quem pertencemos? Estamos mais confortáveis parecendo como uma meretriz do que como uma noiva? Se é assim, não negamos a Cristo com nossa desobediência?
"Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus" [Mateus 10:33]


Não é bastante DIZER apenas que somos Dele e CONTAR ao mundo que somos diferentes. Deve ser evidente em TUDO que pensamos, dizemos e fazemos; caso contrário, somos mentirosos, hipócritas e zombadores de Deus - ouvintes da Palavra, mas não praticantes.
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." [Mateus 7:21]
Em um artigo recente publicado em www.Pastors.com, Rick Warren, autor de Uma Igreja com Propósitos e Uma Vida com Propósitos, foi citado dizendo: "Acredito que uma das principais questões para a igreja no futuro será como iremos alcançar a geração seguinte com nossa música."
Ele disse "alcançá-los com NOSSA MÚSICA"? É o que as gravadoras e as estrelas do Rock fazem! É isso que Jesus nos mandou fazer? É isso que transforma pecadores da velha vida para a nova - "NOSSA MÚSICA"? Jesus levava uma banda para ajudá-lo a atrair as multidões e de forma que pudesse "alcançar" sua geração com uma música? Se for a música que nos traz ao arrependimento e à fé, por que Jesus não escolheu doze músicos de alto nível para serem seus apóstolos e apenas cantar para nós? Por que gastar tanto tempo discursando sobre a vontade de Deus? É por que naquele tempo eles não tinham amplificadores e eletricidade para lhes fazer "sentir a música"?
Você não tem ouvido falar e visto as pesquisas? As preleções são chatas e deixam as pessoas impacientes e pouco à vontade. Assim, Jesus fez a coisa de forma errada? De acordo com o novo paradigma, sim. Hoje, em vez de aulas e preleções, temos muitos pequenos grupos de discussões sobre nossos sentimentos e opiniões na igreja para ajudar a facilitar a interação e construir melhores relacionamentos uns com os outros.


Veja, a implicação aqui é que precisamos de mais terapia - e não de teologia. É nisso que Rick Warren, Bill Hybels, George Barna, C. Peter Wagner e todos os demais líderes do Movimento de Crescimento de Igrejas querem que você acredite. Mas o que os sentimentos e as opiniões humanos têm a ver com a proclamação da Palavra de Deus? O que é mais importante: que cheguemos a um consenso e nos liguemos um ao outro emocionalmente (Dialética Hegeliana) ou que obedeçamos a Palavra de Deus mesmo se ninguém mais ao nosso redor obedecer?


Você vê o que estão instruindo a igreja a fazer aqui? Reconhece a mudança de paradigma? Não proclame a Palavra de Deus (preleção/pregação/ensino, etc). Vamos, em vez disso, "focar o grupo", nossos SENTIMENTOS e OPINIÕES. E tenha SEMPRE muita música sensual para ajudar a facilitar a transição da didática à dialética. Vejam, amigos; atrás disso tudo está uma ênfase na MÚSICA - não na Palavra de Deus. Assim, agora diga para mim: a mensagem mudou?
"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus." [Romanos 10:17]


A música, não obstante o "estilo", o volume, o compasso ou a instrumentação, simplesmente não pode realizar o que faz a proclamação da Palavra de Deus. Ela poderia atrair e prender a atenção de uma multidão maior do que faria uma preleção, deixar todos em pé aplaudindo e ajudar todos a se SENTIREM bem consigo mesmos, mas se um pecador perdido e condenado ao inferno, não se importar com a Palavra de Deus, não há uma canção no mundo que o pode salvar. Ele pode até gritar "Jesus, Jesus!!" a plenos pulmões durante o número de encerramento da banda, mas duvido seriamente que tomará sua cruz e seguirá a Cristo quando a música parar e os tempos trabalhosos chegarem - o que me traz à pergunta controversa: O que fazem afinal estes momentos cheios de paixão induzidos pela música nos serviços dos buscadores - ensinam a obediência à Palavra de Deus ou manipulam as emoções e o comportamento das massas na cooperação comum?


Dirigindo-se aos seus ouvintes na Universidade Liberdade, Warren disse aos jovens apenas o que eles queriam ouvir: "Livrem-se do órgão" e "Acelerem o compasso da música", adicionando, "A mensagem não muda, mas os métodos sim".
Ele disse à multidão de ouvintes: "Vocês podem deixar mais pessoas loucas de raiva com música do que com qualquer outra coisa na igreja". Tudo bem - esta então é sua "visão", pastor - deixar as pessoas mais velhas loucas de raiva na igreja até que saiam e possamos enfim ter bons momentos? Não é por isso que os adolescentes rebeldes gostam quando seus pais viajam - para que possam aumentar o volume da música, virar a casa de cabeça para baixo e trazer todos os seus amigos para festejarem à vontade? Alguém vê similaridades aqui? O que estamos encorajando e acomodando na igreja com esse tipo da atitude?


Em muitas igrejas reinventadas em todo o país, isto é EXATAMENTE o que está acontecendo. Em uma estranha e triste ironia, o "sal da terra" está sendo espezinhado e lançado fora por causa de suas "tradições". É assim que honramos nosso pai e nossa mãe e todas as pessoas idosas da nossa geração - aqueles cujos anos do serviço, dedicação e investimento espiritual construíram as próprias casas da adoração, que agora estão sendo renovadas em palácios de festas de "Propósito e Paixão"? Para mim, isto parece mais uma rebelião orquestrada.


Os liberais sempre apontam os fariseus do tempo de Jesus quando querem atacar a "tradição" e a redefini-la como má. Por que? Porque isso serve a uma agenda alternativa - um plano humanista para a mudança contínua, projetada para amaldiçoar o passado e enaltecer o futuro. Além disso, estão usando a rebelião da juventude para fazer isso para eles. Por que você pensa que sempre ouvimos o cliché liberal, "As crianças são nosso futuro"? É porque querem que os internos dirijam o hospício de forma que a dialética possa tomar o controle para trazer a mudança social na igreja por meio da contemporização. Contemporização envolvendo o que? A imutável Palavra de Deus.
Mas Jesus não estava condenando a "tradição" por si mesma. Estava condenando a "perversão" - a perversão que os fariseus estavam fazendo da verdade - a verdade da Palavra de Deus. A perversão da Palavra de Deus tinha ocorrido por tanto tempo que SE TRANSFORMARA NA TRADIÇÃO daquele tempo. Isso de maneira alguma invalida todas as coisas tradicionais. Mas, infelizmente, na igreja pós-moderna, a tradição, com o perdão da palavra, está se tornando rapidamente uma coisa do passado.


Além dos aspectos morais e espirituais da música alta e rápida, existem também algumas questões de saúde a serem consideradas. Quando o corpo humano experimenta dor, libera seus próprios anestésicos naturais na corrente sanguínea, chamados de endorfinas. Como todos sabemos, um dos efeitos colaterais dos anestésicos é a agitação que produzem.


O som alto, sustentado, pulsante e repetitivo prejudica não apenas o ouvido, mas também todo o corpo humano - especialmente as freqüências abaixo de 100 Hertz e níveis acima de 110 decibéis. Quanto mais intensas e unidirecionais forem as ondas sonoras, maiores serão os danos causados às células e mais substâncias anestésicas nosso organismo liberará para amenizar a dor. Essa é uma das razões por que a música alta é tão apelativa aos jovens nos concertos das bandas musicais; porque eles não apenas a ouvem, mas a SENTEM também e, adivinhe, a música alta lhes dá uma sensação agradável, o que me leva a fazer a seguinte pergunta: Aqueles que freqüentam os serviços dos "buscadores" com sua música alta e animada estão sendo alimentados espiritualmente por sua presença e participação ou estão sendo levados sonoramente a sentirem interesse por Jesus? Você chamaria isso de uma experiência motivada pelo Espírito ou pelas endorfinas? Eu chamaria de um incidente relacionado com as drogas.
Outra substância que é liberada no organismo quando a pessoa é exposta ao estresse causado pelo som em volume elevado é a adrenalina. Entre outras coisas, a música alta, como outros eventos e atividades estressantes, produz o que é geralmente chamado de "descarga de adrenalina". A adrenalina ajuda nosso organismo a lidar com o estresse e o trauma provocados pelas ondas sonoras em volume extremamente alto e em baixa freqüência que podem embrutecer os freqüentadores de apresentações de bandas musicais. Como as endorfinas, a adrenalina também é um mecanismo de defesa natural. Se nos sujeitarmos repetidamente a níveis sonoros que forcem nossas glândulas supra-renais a um esforço excessivo para liberarem adrenalina apenas para lidar com o choque auditivo e físico de um concerto de Rock, podemos não somente nos tornar viciados com ela, mas também experimentar muitos dos efeitos físicos e emocionais adversos da supressão ENTRE CONCERTOS (serviços dos buscadores) quando NÃO recebemos a adrenalina que fomos condicionados a receber - potencialmente tornando nossas vidas diárias sem música alta um inferno na Terra. É por isso que nos sentimos com dores no corpo, fatigados, agitados e às vezes deprimidos um dia após termos enfrentado um evento clamoroso. A adrenalina declina junto com o nível sonoro, deixando-nos em um estado menos que desejável.


Falando no seminário "Construindo uma Igreja com Propósitos", Rick Warren teve isto a dizer: "Música alta e barulhenta com uma batida dirigida é o tipo de música que seu povo escutava." Disse, "Somos realmente bem barulhentos em um serviço do fim de semana.... Eu digo, 'Não vamos abaixar o som'. Agora a razão é por que a geração que cresceu a partir dos anos 50, os baby boomers, querem sentir a música, não apenas ouvi-la..."
Entretanto, embora essas observações sejam tristes e reveladoras - nada me preparou para a seguinte afirmação do pastor Warren:
"Insistir que toda música boa veio da Europa duzentos anos atrás - há um nome para isso - racismo."
Você vê o que ele está fazendo aqui? Mostrando "tolerância, diversidade e unidade" (a doutrina diretora do “buscadorismo”), Warren faz o que os liberais SEMPRE fazem aos tradicionalistas, usa o argumento racial para tentar não apenas elevar a si mesmo e sua causa sob um disfarce de humildade e compaixão, mas também envergonhar e silenciar seus críticos "presos ao passado" com hipérbole e insinuação politicamente corretas.
Assim, todos os cristãos mais velhos e tradicionais devem ficar bem atentos, porque torcer o nariz para a música na igreja que é espiritual, emocional e fisicamente nociva faz agora de você um racista.

Paul Proctor reside em uma área rural no estado do Tennessee e é um veterano na indústria da música sertaneja americana. Ele abandonou suas atividades musicais no fim dos anos 90 para se dedicar a abordar importantes assuntos sociais a partir de uma perspectiva bíblica. Como autor independente e colunista regular da
News With Views, exalta a sabedoria e as verdades das Escrituras em seus comentários e opiniões sobre as tendências culturais e os eventos da atualidade. Seus artigos aparecem regularmente em diversos sites de notícias e de opinião na Internet e em publicações impressas.


Tradução: Walter Nunes Braz Jr.

Extraído do site "Espada do Espírito": http://www.espada.eti.br/

sábado, 17 de março de 2007

O "Espírito" Laodicense e o Movimento de Crescimento de Igrejas

M. Martins


Laodicéia: cidade da província romana da Ásia Menor (hoje, atual porção da Turquia Asiática) edificada sobre sete montes, no rio Lico, famosa pelos amplos muros, cujo nome lhe foi posto por Antíoco II em homenagem à sua esposa, Laodice. Segundo Orlando Boyer¹, 'a cidade foi destruída por um terremoto em 62 A.D. e reconstruída por seu próprio povo, o qual se orgulhava de o fazer sem pedir auxílio do estado'. Era, portanto, uma das cidades asiáticas mais prósperas, cujas riquezas provinham da 'excelência de suas lãs'¹. 'Era uma das cidades mais ricas de toda a Ásia e o centro bancário mais importante da época, onde também eram cunhadas (fabricadas) as moedas . Muitos judeus viviam lá. A cidade também tinha uma escola de medicina, onde foi descoberto um pó (colírio) para a cura de doenças nos olhos. Perto da cidade, havia um grande número de fontes de águas termais (mornas), desagradáveis para beber e que levavam ao vômito quem as bebesse assim. As ovelhas, criadas na região, produziam a lã mais fina conhecida na época, na cor preta. A partir dela, eram feitos vestidos luxuosos e tapetes'².


Segundo consta de Colossenses 4:16, o apóstolo Paulo enviou uma epístola à igreja desta cidade orientando aos colossenses que também a lessem. De uma simples leitura de Apocalipse 3:14-22, vemos que a igreja laodicense refletia a riqueza e o orgulho da cidade: 'Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta' (3:17a). Porém Jesus refere-se a ela da seguinte forma: 'e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu' (3:17b). É importante notar como Jesus toma o exemplo das águas mornas de Laodicéia para demonstrar reprovação às suas obras: 'Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca' (3:15-16). Mas Ele não os deixa sem uma esperança: 'Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te' (3:18-19).


Laodicéia é o retrato da maioria das igrejas dos nossos dias: é uma igreja rica e que de nada sente falta materialmente. Entretanto, é uma igreja espiritualmente 'morna' e pobre, que não consegue ver a crescente apostasia e os desvios doutrinários a que está sendo conduzida. Infelizmente, a cegueira da busca de prosperidade e crescimento a qualquer custo é a marca dos tempos atuais. A sociedade busca isso, as empresas buscam isso, as pessoas buscam isso... E assim a igreja da nossa era retrata essa infatigável corrida na busca do sucesso pessoal e da opulência, com prejuízos imensuráveis à sã doutrina e ao próprio evangelho, cujos valores são relegados a um segundo (para não dizer último) plano. Para que cumprir o IDE se agora já podemos oferecer diversos atrativos para conduzir as pessoas às igrejas? Para que pregar o evangelho, se temos nas mãos as práticas mercantilistas de crescimento de igreja?


É desolador ver esse quadro de crescente apostasia e mundanismo dentro das igrejas. O pior ainda é ver as antigas denominações, outrora incansáveis defensoras da pureza e simplicidade do evangelho de Cristo e da sã doutrina, sendo influenciadas pelo espírito laodicense de crescimento a qualquer custo (ou melhor: inchaço) e pouco compromisso com a Palavra de Deus. Creio que essa situação seja irreversível, mas espero alcançar alguns poucos corações com um clamor bíblico: ARREPENDA-TE! Ouça já a voz daquele que diz: 'Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas' (Ap. 3:18). Amém!
Autor: Marcos A. F. Martins

NOTAS:
¹ Pequena Enciclopédia Bíblica, Editora Vida, p. 375.
² Cf. Reinaldo M. Lüdke (in: http://www.ielb. org.br/pem/ cadernos/ caderno14/ estudo10. html).

domingo, 17 de dezembro de 2006

Crescimento da Igreja e Salvação

M.Martins


“E por avareza farão de vós negócio...” (2Pe. 2:3) Uma avalanche de métodos de crescimento de igrejas vem sendo divulgada entre líderes evangélicos, instruindo-os a tornar a sua igreja local próspera e grandiosa. É a igreja reinventada, transformada em negócio, onde a autêntica mensagem do evangelho está sendo substituída por um discurso de tolerância e fraternidade, distante dos valores bíblicos, sendo o pastor um facilitador, um mediador entre “prós e contras”, permitindo a conciliação em nome da “unidade”. A propósito, sugiro a leitura dos excelentes artigos publicados em http://www.espada.eti.br/pragmatismo.htm .

Essa preocupação seria plausível se a igreja realmente fosse uma empresa, um comércio administrado pelo pastor ou por um grupo de pessoas, como nas sociedades anônimas e companhias limitadas. Porém, a igreja - segundo o melhor conceito - é uma assembléia de gente salva, pessoas que compreenderam e aceitaram a mensagem de salvação bíblica pela soberana vontade de Deus, diferente do conceito moderno de clube eclesiástico que estão tentando imputar-lhe. Àqueles que procuram fazer a obra de Deus segundo a metodologia humana devemos lembrar que, embora a salvação seja oferecida a todos, poucos são os efetivamente salvos em Cristo Jesus: “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22:14). A Bíblia demonstra claramente que a Salvação pertence somente ao Senhor e que somente dEle vêm a fé e o arrependimento.

No livro de Jonas está escrito: “Do Senhor vem a salvação” (Jn 2:9b). Esta afirmação guarda profunda simetria com toda a soteriologia bíblica, pela qual Deus nos elegeu livremente para a salvação antes mesmo da fundação do mundo (Ef. 1:3,4; II Ts 2:13; Ap. 13:8; etc). É o Espírito Santo quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8); é Deus quem dá a fé (Ef. 2:8 e Hb. 12:2 c/c Jo. 6:64-65 e 1Co. 12:3) e o arrependimento (Atos 5:31, 11:18; Rom. 2:4; 2Co 7:9; 2Tm 2:25; etc.), ambos para a salvação. Assim, Deus faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade (Ef. 1:11; v. tb. Ef. 1:4-5; Tiago 1:18; Sal 115:3 e 135:6; etc.) e concede redenção a quem Ele quer, segundo a Sua infinita misericórdia (Jo 1:13, 6:37; Rm. 9:15-16; Ef. 2:1-10; Tt. 3:5; Tg. 1:18; etc.), sem, entretanto, desprezar a responsabilidade humana (Mt. 11:28; Jo. 5:40; Ap. 22:17; etc). Uma vez entendido este assunto de difícil compreensão para muitos, que é a Salvação (2Pe 3:15-16; Rm. 11:33-36), podemos afirmar que nenhum esforço humano para levar as pessoas a Cristo terá sucesso sem a suprema volição de Deus, conforme os Seus eternos propósitos. “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam...” (Sl. 127:1). O método bíblico é: “...Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15). Apenas os que crerem serão salvos (v. 16); porém a fé salvadora não é para todos, pois ninguém pode nascer pela vontade da carne, por desejo próprio (Jo. 1:12-13): “...porque a fé não é de todos” (2Ts. 3:2).

A tática de atrair pessoas às igrejas para ouvir coisas aprazíveis e participar de um culto adocicado e festivo não encontra respaldo bíblico. O pregador não tem a função de convencer a ninguém, mas apenas de pregar o que é reto, de levar a mensagem do evangelho a toda criatura. Pregando dessa forma, crerão todos quantos estão ordenados para a vida eterna (At. 13:48).


Marcos A. F. Martins.

Revista Sã Doutrina (www.revistasadoutrina.com)