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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

BREVES REFLEXÕES

L. Hérbet

. João 6:35
"E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede"

Jesus é o pão da vida - a sua palavra é o verdadeiro alimento espiritual. Ninguém nunca falou como esse homem - disse um de seus ouvintes no Templo de Jerusalém. Não! ninguém nunca falou como Ele, porque Ele é o próprio Logos (a Palavra de Deus). Sua palavra transformou milhares de vidas, deu significado e direção própria a milhares de homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que não temem entregar suas próprias vidas por amor a Cristo. Ninguém nunca falou como Ele, porque Ele é o próprio Deus. Aqui encontra-se toda a diferença entre Jesus Cristo e qualquer outro "grande" homem que já existiu ou vive entre nós. Nenhum deles deu a sua vida pelos seus pecados, nenhum deles ressuscitou da morte, nenhum deles criou o próprio mundo, nenhum deles voltará novamente. Não há comparação entre Jesus e qualquer outro ser humano. Jesus é Deus - Deus que se tornou homem por amor a cada um de nós; basta-nos saber disso e pronto. O nosso coração descansa aqui.

. Isaías 49:15, 16a e 64:4
"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei"; "Porque desde a antiquidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera".

O amor paternal de Deus, que é o seu cuidado ou zelo que Ele tem para com cada um de nós é superior ao de qualquer outro, inclusive do amor de mãe, e a prova disso é Jesus, que tornou-se homem e tomou e morreu na cruz por meus pecados.

Deus tem preparado algo para os seus filhos que a nossa compreensão ainda não é suficiente para entender toda a extensão do Seu amor. O lar que Jesus preparou para nós é tão maravilhoso que os nossos corpos precisarão ser transformados para desfrutar daquilo que é o céu - ese é o presente de Deus para os seus filhos.


. João 15:1a; 13
"Eu sou a videira verdadeira...Ninguém tem maior amor do que este, de dar a sua vida pelos seus amigos".

Jesus é a videira que alimenta os ramos, e nós somos os ramos. Jesus nos chamou para produzir valiosos frutos, mas para isso devemos estar totalmente em comunhão com o Senhor. Quero considerar dois aspectos nesse processo: (1) O aspecto externo ou os frutos que produzimos em nossa vida cristã são as boas obras que praticamos, ou seja, as nossas decisões, atitudes. São obras/ações que nutrem ou alimentam as pessoas, ou seja, são bênçãos na vida dos que estão ao nosso redor. É o labor no reino de nosso Pai celestial;
(2) O aspecto interno, é o que mais tenho lutado, pois não creio ter completamente alcançado em meu viver o fruto do Espírito Santo. É a submissão completa ao Senhor que faz o controle de nossas vidas sair de nós mesmos e descansar cabalmente em Suas mãos. Produzir esses frutos glorifica o nome de Cristo.

domingo, 7 de setembro de 2008

GLUTONARIA



Prof. Herman Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto


Embora o leitor não cite um texto específico, ele pergunta: “Por que a igreja parece quase silenciosa em pregar e ensinar sobre o assunto da glutonaria? Ouvi dizer que no passado a igreja pregou sobre isso, enquanto hoje nós praticamos a glutonaria!”. A Escritura menciona o pecado da glutonaria mais de uma vez, embora não freqüentemente. Em Deuteronômio 21:20, os pais de Israel são ordenados a levar um filho rebelde e obstinado aos anciãos e dizer a eles: “Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão.” Esse mandamento para levar um filho rebelde aos anciãos ainda está em vigor! Em Provérbios 23:20-21, Salomão admoesta o povo de Deus: “Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão acabarão na pobreza; e a sonolência os faz vestir-se de trapos.”

Os judeus consideravam a glutonaria ser um pecado sério, e por isso acusaram o nosso Senhor de ser “um homem comilão e beberrão” (Mt. 11:19; Lucas 7:34). Embora a glutonaria não seja mencionada por nome em Provérbios 23:1-3, a admoestação é importante: “Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para o que é
posto diante de ti, e se és homem de grande apetite, põe uma faca à tua garganta. Não cobices as suas iguarias porque são comidas enganosas.” E seria bom ler também os versículos 4-8.

O leitor assume em sua pergunta que a glutonaria é um pecado, mas pergunta especificamente o porquê os ministros nunca pregam sobre ela. Eu não sei a resposta; pode haver muitas respostas: o próprio ministro come demais; quando um ministro condena a glutonaria desde o púlpito, as pessoas recebem tal admoestação com hilaridade (como aconteceu uma vez comigo); muitos na congregação são glutões e o ministro não quer ofendê-los; a glutonaria é geralmente considerada como um pecado insignificante, não digno da nossa atenção. Uma razão, contudo, pela qual os ministros raramente pregam, se é que pregam, sobre esse pecado pode ser que a glutonaria é difícil de definir.

Suspeito que um homem magro que coma tudo o que deseja e nunca engorde sequer uma grama, definirá glutonaria um tanto diferente da pessoa que come de forma reduzida e, todavia, engorda com tudo o que come. Um homem que come com voracidade e nunca aumenta de peso pode ser culpado do pecado de glutonaria, enquanto uma pessoa obesa pode não ser. Nem todos os obesos são glutões, e nem todos os magros estão livres desse pecado. Os presbíteros na igreja não descobrem quem são os glutões entrando na casa de cada um e pesando os membros da família numa balança que carregam consigo.

Um problema adicional de nenhuma significância pequena é: Quanto uma pessoa pode comer antes de cair no pecado de glutonaria? Ou, na mesma linha: Quais comidas ele deve comer e quais deve evitar, para se guardar do pecado de glutonaria? Há poucos glutões nos países de terceiro mundo onde o problema não é comer muito, mas manter-se vivo. Nós que vivemos em fartura devemos considerar que o pecado pertence especialmente aos nossos tempos e em nossas circunstâncias.

Contudo, eu creio sinceramente que os ministros conscientes que pretendem pregar todo o conselho de Deus, e que buscam aplicar essa Palavra de Deus à congregação, pregam sobre glutonaria, mas fazem isso sem mencionar especificamente o pecado. Como? A quantidade do que como e bebo e o tipo de comida e bebida é tudo questões de liberdade cristã. Elas pertencem àquela área onde nenhuma lei deveria ser feita, onde o cristão, ungido por Cristo para ser rei na casa de Deus, governa sua vida pelos princípios da Escritura, e onde sua própria

consciência é o seu guia – uma consciência cativa pela Palavra de Deus. E assim, um ministro consciente prega os princípios que fundamentam esse pecado. Quais são alguns deles? Não devemos ficar preocupados sobre o que deveríamos comer e beber, pois Deus, que cuida dos pardais, prometeu tomar conta de nós (Mt. 6:25-34). Muita glutonaria começa por falhar em prestar atenção a essas palavras de Deus. Com geladeiras cheias, nós nos preocupamos constantemente.

Não devemos ser ascetas que, nos interesses de permanecer magro, evitamos os dons de Deus. Devemos recebê-los com gratidão, santificá-los com a Palavra de Deus e oração, e desfrutá-los como dons bondosos de Deus (1Tm. 4:1-5). Nunca devemos pensar em alimento e comida como fins em si mesmos, a serem desfrutados por causa deles, mas devemos lembrar que nosso chamado é buscar o reino de Deus e a Sua justiça (Mt. 6:33). Isto é, comida e bebida nos são dados por nosso Pai do céu, para que possamos ter a força para continuar nossa jornada de peregrinos rumo ao céu, e, enquanto estamos ainda sobre a Terra, fazermos a obra do reino nos dada como tarefas por Cristo.

Se nos entregamos às comidas e bebidas dos tipos mais caros e não ajudamos aos pobres, a comida que comemos não somente nos engordará, mas se tornará em amargura dentro de nós sob a maldição de Deus. Deus se preocupa muito com os pobres!
Tão importante é o reino da justiça de Deus que suas obrigações excedem comida e bebida. Se necessário, como é para muitas pessoas, escolher entre a instrução cristã e a comida, entre a pregação e batatas, entre missões e pêssegos, a causa do reino de Deus deve vir em primeiro lugar. Quando, em nossa fartura, comemos guloseimas e comidas exóticas que não são boas para nós, tornamo-nos glutões. Quando comemos qualquer comida que prejudique a nossa saúde, pecamos. Isso não significa que devemos ouvir aos médicos o tempo todo ou usar uma pequena balança na nossa mesa, ou contar as calorias constantemente, mas significa que a regra bíblica, “seja a vossa moderação notória a todos os homens. Perto está o Senhor” (Fp. 4:5) é uma palavra muito necessária em nossos dias.

Ao comer e beber, bem como em todas as outras coisas, façamos tudo para a glória de Deus (1Co. 10:31).

Fonte: http://www.cprf.co.uk/
Artigo extraído so site: www.monergismo.com

sábado, 26 de maio de 2007

Salvador, sim! Mas Senhor...


“E foi lhe dirigida uma voz (de Jesus): Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor...” Atos 10:13,14

Luciano Hérbet


Lendo a passagem bíblica em Atos 10 podemos perceber claramente uma contradição nas palavras de Pedro. Ele recebeu uma ordem direta de Jesus: “levanta-te, Pedro, mata e come”. Mas qual foi a atitude de Pedro? “De modo nenhum, Senhor!”. Existe em nós algum conhecimento, experiência ou qualquer outra capacidade que seja suficiente para questionarmos a vontade de Deus?

É de fato Jesus o Senhor de nossas vidas?

O apóstolo Tiago, irmão do Senhor, no início de sua carta se apresenta como “doulos” de Deus e do Senhor Jesus Cristo. Essa palavra grega traduzida por “servo” traz o significado de “escravo”. O escravo é aquele servo cuja vontade está submissa à de seu senhor. Sua própria vida, desejos e ambições se encontram nas mãos de seu dono. O Espírito Santo nos ensina através de Paulo que fomos criados para a glória de Jesus (Efésios 1: 3-14). Quando nossas vidas revelam o senhorio de Jesus, então tornamos essa glória manifesta ao mundo.

Infelizmente, muitos de nossos irmãos ainda não entregaram suas vidas sem reservas a Jesus Cristo. Alguns retêm suas posses, talentos, tempo e a própria vida. Entregaram-se parcialmente a Jesus. Vontades, ambições e desejos próprios dominam o coração desses crentes. Têm medo do que Cristo pode pedir a eles. Será uma grande decepção para esses crentes quando perceberem que quando Jesus não é Senhor de toda a sua vida, então Ele não é Senhor de nada que temos. Para estes, será uma grande tristeza quando Jesus, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores, os envergonhará diante de seu Pai e de seus anjos.

É de fato Jesus o Senhor de nossas vidas?

Podemos identificar algumas características naqueles que têm amado a Cristo com todo o seu ser (Dt. 6:5):

(1) Consagração: é a entrega total e sem reservas de todo o meu ser e de tudo o que possuo nas mãos do Senhor. Tudo o que temos (literalmente família, posses, bens, profissão, salário, objetos) e o que somos (intelecto, dons, talentos, habilidades) pertencem ao Senhor Jesus. Consagração é o compromisso de dedicar a minha vida para a glória de Deus. Isso implica que tudo que envolve a minha vida tem que está direcionado para a Sua glória. O que eu faço glorifica a Deus? É a Sua vontade que eu faça isso ou aquilo? Podemos ver um claro exemplo de consagração a Deus na vida de Daniel e de seus três amigos (Dn. 1).

(2) Renúncia: quando já tenho entregado tudo a Cristo, com a convicção de que Ele e o seu reino são as prioridades máximas em minha vida, então quando solicitado pelo Senhor estou prontamente disposto a abandonar qualquer coisa. Pensamos na renúncia apenas no que tange as coisas ilícitas e que nos atraem como os prazeres e as coisas mundanas, mas devemos ter o cuidado das coisas lícitas, que per si não são pecaminosas, mas que podem nos afastar dos propósitos de Deus para as nossas vidas. Alguns têm desobedecido a Cristo porque família, status, profissão e outras coisas têm se tornado mais importante do que a vontade de Deus. Depois de Cristo, o maior exemplo de renúncia nas Escrituras encontro na pessoa de Abraão. Ele foi capaz de renunciar o seu próprio filho, o que ele tinha de mais precioso aqui, por amor e fidelidade ao seu Deus.


(3) Temor do Senhor: certa vez ouvi de um colega que ele tinha o desejo de “tomar uma cervejinha”, mas que tinha medo de que seu pastor soubesse. Será que a motivação correta de não nos envolvermos em práticas que consideramos ilícitas é o medo da punição, do castigo? Esse sentimento revela mais uma preocupação consigo mesmo do que com a glória de Deus. A Bíblia diz que devemos andar “com temor e tremor” (Fp. 2:12), isso porque todo o pecado gera conseqüências. Explicando esse versículo, John MacArthur ensina que “essas palavras juntas (phobos e tromos) falam de um saudável temor em ofender a Deus e de um anseio correto para fazermos aquilo que é justo aos olhos dEle”1.

Infelizmente, muitos dos que afirmam ter recebido a Cristo como o salvador de suas vidas não têm demonstrado que Ele também é o Senhor. Vivem como se não pertencessem a um Deus que é Santo, e que tem o direito de fazer o que quiser com as nossas vidas. A submissão ao senhorio de Cristo é tão evidente nas Escrituras como algo destinado aos seus discípulos, que autores como John MacArthur chega a defender a “salvação pelo senhorio"2 . Tenhamos em nosso coração a sincera gratidão ao nosso Deus, que nos criou e nos salvou. Santifiquemo- nos totalmente para o nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, com inteira consagração para o Seu serviço.

É de fato Jesus o Senhor de nossas vidas?
Se sim, poderemos cantar de verdade e alegremente o hino sacro:

Não sou meu, Oh, Não sou meu,
Bom Jesus sou todo teu.
Desde agora e para sempre,
Bom Jesus sou todo teu.


Luciano Hérbet O. Lima
Membro da Igreja Bíblica Congregacional em Vitória da Conquista - BA
Editor da revista Sã Doutrina



Notas:
1. MacArthur, John. O Evangelho segundo Jesus (Editora Fiel);
2. MacArthur, John. Nossa Suficiência em Cristo (Editora Fiel)

domingo, 25 de março de 2007

Jesus: único, incomparável, maravilhoso - em seu amor



Norbert Lieth


Lemos em 1 João 3.16 sobre Jesus Cristo: "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós..." A morte de Jesus na cruz do Calvário é a prova do eterno, imutável e inescrutável amor de Deus por um mundo perdido – por cada um de nós! O sangue derramado de Jesus é a garantia do amor de Deus para com as pessoas sobrecarregadas de culpa e distantes dEle: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5.8).

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).
Jesus, como Filho de Deus, era o único que podia morrer pelos pecados da humanidade. Ele o fez também por você! Em todas as outras religiões procuramos em vão por algo que seja comparável à morte de Jesus por nós. O Senhor é amor em Si mesmo; amor é uma característica do Seu ser. Por isso Ele não pode separar-se do Seu amor. Esse amor começou quando Deus começou – e Ele não tem começo nem fim. Alguém o formulou desta maneira: "Deus é o que é, principalmente por Seu amor." E Friedrich Bodelschwingh cunhou a frase: "Por esta terra não passa ninguém que não seja amado por Deus." O próprio Senhor diz: "Com amor eterno eu te amei" (Jeremias 31.3). Portanto, não há uma só pessoa vivendo sobre a face da terra que não seja amada por Deus.


Deus ama a cada pessoa da mesma maneira. Isso significa que Ele não ama a ninguém mais do que a outro. Agostinho definiu esse amor de Deus de maneira muito apropriada: "Deus ama tanto a cada um de nós como se não existisse ninguém mais a quem Ele pudesse dar Seu amor."
Jamais alguém poderá apresentar-se diante de Deus e afirmar que não foi amado por Ele. Estou profundamente convicto de que, quando os perdidos chegarem diante do trono de Deus e virem o Cordeiro de Deus, ficarão perplexos por não terem aceitado o amor que Jesus lhes ofereceu. Se existisse apenas um único pecador perdido nesta terra, Deus em Seu amor ilimitado teria feito por ele o que fez por todas as pessoas do mundo, através de Jesus Cristo.


É justamente isso que o Senhor Jesus quer expressar com a parábola da ovelha perdida: "Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento" (Lucas 15.4-7).


Martim Lutero, com sua linguagem forte, descreveu certa vez o amor de Deus com as seguintes palavras: "Deus é um forno ardente, tão cheio de amor que todo o céu e toda a terra estão envolvidos pelo seu calor."



Norbert Lieth
Extraído do ivro"Conheça a Jesus, único, incomparável, maravilhoso"

A Beleza de Cristo



C. I. Scofield


Em Cantares 5.16 lemos: "...ele é totalmente desejável". Isso não pode ser dito a respeito de nenhum outro a não ser de Jesus Cristo. Qualquer outra grandeza é corrompida por pequenez, qualquer outra sabedoria é arrasada por tolice, qualquer outra bondade vem maculada por imperfeição. Jesus Cristo é o único do qual se pode afirmar que nEle tudo é amável e belo.Sua beleza reside em Sua perfeita humanidade. Ele se identificou conosco em tudo, exceto com nosso pecado e com nossa natureza má. Ele teve de crescer fisicamente – como nós – mas Ele também cresceu na graça. Ele trabalhou, chorou, orou e amou. Em todas as coisas Ele foi tentado como nós – mas permaneceu sem pecado.

Como Filho de Deus, Ele entra em nossa vida no século XX de maneira tão simples e natural como se tivesse morado em nossa rua. Ele é um dos nossos em tudo. Ele entra em uma vida cheia de pecado assim como um rio limpo e transparente lança suas águas em um lago parado. O rio não teme a contaminação, é ele que limpa o lago com sua força. Cristo também possui perfeita compaixão. Pensemos apenas no "rebanho sem pastor" ou na viúva enlutada de Naim. Será que alguma vez você viu Jesus procurando pessoas que "mereciam" que Ele se compadecesse delas? Dele está escrito simplesmente que: "... Compadeceu-se dela e curou os seus enfermos" (Mt 14.14b). Que glória reside em sua misericórdia! Naquela época significava contaminação a aproximação com os pobres leprosos, mas o contato com a mão de Jesus os curava e purificava.

A perfeita humildade de Jesus Cristo é extremamente amável. Ele, o único que poderia ter escolhido como desejava nascer, entrou nesta vida como um dentre muitos. Ele disse: "...no meio de vós, eu sou como quem serve" (Lc 22.27b), e está escrito que Ele "deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido" (Jo 13.5). E também está escrito que Ele "quando ultrajado, não revidava com ultraje" (1 Pe 2.23).

Jesus Cristo também possui perfeita mansidão. Como Ele é meigo, mas também fiel, altruísta e devotado. Quando falou com a mulher calada, desesperada, depois que os seus acusadores foram se retirando um por um, toda a Sua amável mansidão se mostrou. Até na hora da Sua morte, Ele ouviu o clamor de uma fé em desespero. Antigamente, quando os vencedores voltavam das guerras, traziam seus prisioneiros mais importantes como troféus de vitória. Para Jesus Cristo foi suficiente chegar ao céu trazendo a alma de um ladrão.Finalmente, olhemos para Seu perfeito equilíbrio interior.

Ainda poderíamos falar muito sobre Sua dignidade, sua varonilidade, sobre Sua coragem. Nele se unem traços de um caráter perfeito e formam um equilíbrio maravilhoso. Sua mansidão nunca é delicada demais, sua coragem jamais é bruta.Ele não é totalmente desejável? Você quer aceitá-lO como Salvador pessoal e igualmente descobrir Sua glória? Ele próprio disse: "Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna" (Jo 6.47).

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, agosto de 1998.

quinta-feira, 22 de março de 2007

O Temor do Senhor

Adrian J. Moggré

O Senhor foi para o seu povo (Israel) um Deus perdoador, ainda que tenha exercido seu juízo sobre os feitos deles. O poeta do salmo 99 glorifica ao Deus de Israel com estas palavras: " O Senhor reina; tremam os povos... Louvem o teu nome, grande e tremendo, pois é santo. Também o poder do Rei ama o juízo; tu firmas a equidade, fazes juízo e justiça em Jacó... tu fostes um Deus que lhes perdoaste, ainda que tomaste vingança dos seus feitos". O mundo pré-diluviano experimentou a ira divina, e mais tarde outras nações também sofreram dolorosamente. De fato, nosso Deus é digno de ser temido. A Bíblia trata com frequência acerca do temor do Senhor. Quem não conhece, por exemplo, as palavras tão frequentemente mencionadas de provérbios 1:7 que "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria"?

Uma vida no temor do Senhor é uma nota essencial para uma fé viva. Daí que, para todo cristão, será muito importante sempre recordar o que é o temor do Senhor. O que nos diz a Palavra de Deus sobre o assunto? Quando as Escrituras Sagradas se ocupam do temor do Senhor elas apontam com muita luz na direção da reverência e da veneração ao Pai celestial, criador dos céus e da terra. Portanto, entende-se que por andar em caminhos equivocados e com sua vida presa ao pecado, o indivíduo encontra-se numa situação delicada diante de Deus. Da mesma forma que um menino que cometeu uma diabrura e sente-se agora em dificuldades com o pai por ter provocado algum dano, acontece com os verdadeiros filhos de Deus. Quando são desobedientes ao Senhor, e permitem ser enganados e até levados a praticar más ações, então eles não permanecem tranquilos e eles não passam bem intimamente. A consciência deles os acusa e eles têm temor à ira e o castigo de Deus e se dispõem a confessar ao Senhor. Intencionalmente eu mostro a angústia do filho ante seu próprio pai, porque aqui é preciso distinguir muito bem esse tipo de temor. O conceito que desejo indicar de modo algum trata-se do pânico angustiado de um escravo diante das arbitrariedades de seu duro e insensível senhor; tampouco é comparável e relacionado com a angustia de um cidadão indefeso frente as brutalidades e os rudes caprichos e anseios de poder de um ditador tirano. Com a expressão "o temor do Senhor", a Palavra de Deus traz o sentido de respeito filial ao Senhor.

É o verdadeiro medo em se viver uma vida no pecado. David temia a Deus e, depois do adultério com Betsabé e o homicídio de Urías, ele teve verdadeiro medo pelas consequências. Será que Deus em Sua ira justa faria com que sua vida terminasse como a de Saúl, seu antecessor? David ficou profundamente angustiado, e por isso ele implorou: "Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo" (Salmo 51:11). Tinha acontecido desse modo a Saúl e David tinha presenciado de perto o que aconteceu com o monarca e por isso também sofreu. O Senhor havia retirado Seu Espírito de Saúl, e havia enviado para ele um espírito mal. Era algo horrível. Os últimos anos do governo do rei Saúl se converteram num montão de misérias. Também para David ocorreria agora outro tanto? depois de seu pecado com Betsabé? Temeu por si mesmo e naquela aflição clamou ao Senhor o perdão, e ele rogou a Deus que não afastasse dele o seu Espírito Santo. Era um clamor do fundo de uma consciência sem paz e em angústia para o castigo merecido. Nisto consiste a vida ou o viver no temor do Senhor: uma vida, que mais tarde o apóstolo Paulo encorajou ao filipenses com estas palavras: "...operai a vossa salvação com temor e tremor" (Fil. 2:12). Também Pedro exorta os seus leitores: "...andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação" (1 Pe. 1:17).

É natural que nada se produza ou resulte de uma vida cristã onde os crentes julgam ou pensam que Deus jamais opera o sofrimento ou a dor na vida de uma pessoa, e que nada tem que fazer com o mal (injustiça) neste mundo. Se o Senhor não dispuser da dor ou sofrimento, e nem tampouco move um dedo, nem agora nem nunca, diante daqueles que vivem no pecado, então Seus filhos não têm razão para temê-lo. Como tampouco alguém pode falar de uma vida de acordo com as Escritas no temor do Senhor se ela não quiser saber qualquer coisa sobre a mão de Deus na dor. Isto é algo que você não pode imaginar. Quem não quer ouvir que Deus utiliza do sofrimento, não teme ao Senhor. Além disto, ainda pergunta: Deus quer que exista o inferno? ou quer aquele sofrimento? Mas, quem, continuará ainda temendo o Senhor? Não se poderá dizer de muitos crentes o mesmo que David expressou dos infiéis na igreja do Antigo Testamento: "...Não há temor de Deus perante os seus olhos" (Salmo 36:1).

Uma vida no temor do Senhor - é o que Deus espera de nós; e esse tipo de vida é apontada na exposição de Filipenses 2:12 como sendo uma vida de sentimento humilde de si próprio, e com uma diligência grande e filial, temendo que possa realizar ou desejar algo que entristeça ou provoque a ira de Deus, ou que pudesse dar mal testemunho da salvação.

"Servi ao Senhor com temor,
e alegrai-vos com tremor.
Honrai o Filho, para que não se ire,
e pereçais no caminho,
quando em breve se acender a sua ira"
(Salmo 2:11-12).
  • Autor: Adrian J. Mogrré (extraído do livro "De donde tánto sufrir?" da FELIRe (Fundación Editorial de Literatura Reformada)
  • Traduzido e adaptado por Luciano Hérbet (to be future revision)

domingo, 3 de setembro de 2006

Lembrai-vos da Mulher de Ló

J. C. Ryle
(Lc. 17: 32)


Há poucas advertências na Escritura mais solenes que esta. O Senhor Jesus Cristo nos diz, "Lembrai-vos da mulher de Ló." A esposa de Ló professava a verdadeira religião: seu marido era um "homem íntegro" (2 Pedro 2:8). Ela deixou Sodoma com ele no dia da sua destruição; ela olhou para trás, em direção a cidade, em desobediência a ordem expressa de Deus; ela morreu imediatamente, transformando-se em uma estátua de sal. E o Senhor Jesus Cristo a utiliza como exemplo para Sua igreja; Ele diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".É uma advertência solene, quando consideramos a pessoa que Jesus menciona. Ele não nos convida a lembrar de Abraão, ou Isaque, ou Jacó, ou Sara, ou Ana, ou Rute. Não! Ele escolhe alguém cuja alma estava perdida para sempre. Ele clama a nós: "Lembrai-vos da mulher de Ló".É uma advertência solene, quando nós consideramos sobre o tema de Jesus. Ele está falando da Sua segunda vinda, quando virá julgar o mundo; Ele está descrevendo o estado terrível de despreparo no qual muitos serão achados. Os últimos dias estão na Sua mente, quando Ele nos diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós pensamos na Pessoa que a faz. O Senhor Jesus é amoroso, misericordioso e compassivo; Ele é Aquele que "não esmagará a cana quebrada nem apagará a torcida que fumega"(Is.42:3). Ele lamentou a incredulidade de Jerusalém e orou pelos homens que O crucificaram; contudo, Ele julga proveitoso nos dar esta advertência solene e nos fazer lembrar das almas perdidas. Ele nos diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".É uma advertência solene, quando nós pensamos nas pessoas para as quais Ele, primeiramente, dirigiu estas palavras. O Senhor Jesus estava falando aos Seus discípulos; Ele não estava falando para os escribas e fariseus que o odiaram, mas a Pedro, Tiago e João, e muitos outros que O amaram; mesmo para esses, Ele julga proveitoso uma palavra de precaução. Ele os diz: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

É uma advertência solene, quando nós consideramos a maneira que Ele falou. Ele não diz somente: "Cuidado! Não sejam como a mulher de Ló". Ele usa uma palavra diferente; Ele diz: "Lembrai-vos". Ele fala como se nós corrêssemos o perigo de esquecer o assunto; Ele incita nossas memórias preguiçosas; Ele nos ordena a manter o caso em nossas mentes. Ele clama: "Lembrai-vos da mulher de Ló".

Agora, consideremos os privilégios religiosos que a esposa de Ló desfrutou.Nos dias de Abraão e Ló, a verdadeira religião salvadora era escassa na terra; não havia ainda a Bíblia, pastores, igrejas, credos ou mesmo missionários. O conhecimento de Deus estava limitado a algumas famílias agraciadas; a maior parte dos habitantes do mundo estava vivendo em escuridão, ignorância, superstição e pecado. Talvez não houvesse um em cem, que contasse com tal bom exemplo, ou com tal convivência espiritual, tal clareza de conhecimento e advertências tão claras como a esposa de Ló. Comparada com os milhões de criaturas do seu tempo, a esposa de Ló era uma mulher agraciada.Ela teve um homem religioso como marido; ela teve Abraão, o pai da fé, como tio através do matrimônio. A fé, o conhecimento e as orações destes dois homens íntegros não poderiam ter sido desconhecidos dela. É impossível que ela pudesse ter morado em tendas com eles durante tanto tempo, sem saber de Quem eles eram e a Quem eles serviam. Religião para eles não era nenhum negócio formal; era o princípio governante das suas vidas e a razão de suas ações. Tudo isso a esposa de Ló deve ter visto e conhecido. Este não era um pequeno privilégio.Quando Abraão recebeu as promessas, a esposa de Ló provavelmente estava lá. Quando ele construiu sua tenda entre Ai e Betel, é provável que ela estivesse presente ...; quando os anjos vieram a Sodoma e advertiram seu marido para fugir, ela os viu; quando eles os levaram pela mão e os conduziram para fora da cidade, ela era um daqueles que eles ajudaram a escapar. Mais uma vez, eu digo, estes não foram privilégios pequenos.
Contudo, quais foram os resultados positivos, de todos estes privilégios, no coração da esposa de Ló? Nenhum, nada. Apesar de todas as oportunidades e meios de graça, todas as advertências especiais e mensagens do céu, ela viveu e morreu sem a graça de Deus, sem Deus, impenitente e descrente. Os olhos do seu entendimento nunca foram abertos; sua consciência nunca foi realmente despertada ou estimulada; sua vontade nunca foi verdadeiramente trazida a um estado de obediência a Deus; suas afeições nunca foram fixadas nas coisas lá do alto. A forma de religião que ela teve foi mantida por conveniência e não por um verdadeiro sentir; era uma capa usada para agradar a seu marido, e não por qualquer senso de seu valor. Ela fez como outros ao redor dela na casa de Ló: ela se conformou aos costumes do seu marido; ela não fez nenhuma oposição à religião dele; ela se permitiu ser conduzida passivamente por ele; mas em todo tempo o seu coração estava em pecado diante de Deus. O mundo estava no seu coração, e o seu coração estava no mundo. Neste estado ela viveu, e neste estado ela morreu.

Em tudo isso há muito a ser aprendido. Eu vejo uma lição aqui que é da maior importância nos nossos dias. Você vive em tempos em que há muitas pessoas vivendo igual a esposa de Ló. Ouça pois, a lição que o caso dela nos ensina.Aprenda que a mera possessão de privilégios religiosos não salvarão a alma de ninguém. Você pode ter vantagens espirituais de todo tipo; você pode viver e gozar das mais ricas oportunidades e meios de graça; você pode desfrutar da melhor pregação e das instruções mais verdadeiras; você pode morar no meio da luz, conhecimento, santidade e boa companhia. Tudo isso é possível; contudo, você ainda pode permanecer não convertido, e estar perdido para sempre.Eu ouso dizer que esta doutrina parece dura a alguns leitores. Eu conheço a idéia de que eles não querem nada mais do que privilégios religiosos para decidirem ser cristãos. Eles não são o que eles devem ser no momento, eles concordam; mas a posição deles é tão difícil, eles argumentam, e suas dificuldades são tantas. Dê-lhes um cônjuge crente, ou amizades cristãs, ou um patrão crente; dê a eles a pregação do Evangelho, os privilégios, e então eles caminharão com Deus.Tudo engano! Uma completa ilusão! Para salvar almas, é requerido muito mais do que privilégios. Joabe era o capitão de Davi; Geazi era o criado de Eliseu; Demas era companheiro de Paulo; Judas Iscariotes era discípulo de Cristo; e Ló teve uma esposa mundana e incrédula. Todos eles morreram em seus pecados. Eles baixaram à cova apesar do conhecimento, advertências e oportunidades; e todos eles nos ensinam que os homens necessitam não só de privilégios. Eles precisam da graça do Espírito Santo.

Vamos valorizar nossos privilégios religiosos, mas não vamos descansar completamente neles. Vamos desejar ter o benefício deles em nossas atividades, mas não vamos colocá-los no lugar de Cristo. Vamos usá-los com gratidão, se Deus no-los der, mas nos preocupemos em que eles produzam algum fruto em nosso coração e vida. Se eles não produzem o bem, eles seguramente causarão dano; eles cauterizarão a consciência, eles aumentarão a responsabilidade, eles agravarão a condenação. O mesmo fogo que derrete a cera endurece o barro; o mesmo sol que faz a árvore vivente crescer, seca a árvore morta e a prepara para queimar. Nada endurece mais o coração do homem, do que uma familiaridade estéril com as coisas sagradas. Mais uma vez eu digo, não são somente os privilégios que fazem as pessoas cristãs, mas a graça do Espírito Santo. Sem isso, nenhum homem jamais será salvo.Eu peço aos que lêem esta mensagem hoje, que considerem bem o que eu estou dizendo. Você vai para a Igreja do sr. A ou B; você o considera um pregador excelente; você se deleita com seus sermões; você não pode ouvir nenhum outro com o mesmo conforto; você aprendeu muitas coisas desde que você começou a participar do seu ministério; você considera um privilégio ser um dos seus ouvintes. Tudo isso é muito bom. É um privilégio. Eu seria grato se ministros como o seu fossem multiplicados. Mas, afinal de contas, o que você recebeu no seu coração? Você já recebeu o Espírito Santo? Se não, você não é melhor que a esposa de Ló.Eu peço para os filhos de pais crentes que gravem bem o que eu estou dizendo. Ser filhos de pais crentes é o mais elevado dos privilégios, pois torna-se o alvo de tantas orações. Realmente é uma bênção aprender o Evangelho na nossa infância, e ouvir falar de pecado, de Jesus, e do Espírito Santo, e santidade, e céu, desde o primeiro momento que podemos lembrar. Mas, cuidado para que vocês não permaneçam estéreis e infrutíferos no meio de todos estes privilégios; precavenham-se para que seus corações não permaneçam duros, impenitentes e mundanos, sem se quebrantar às muitas vantagens que vocês desfrutam. Vocês não poderão entrar no reino de Deus pelo crédito de seus pais. Vocês próprios têm que comer o Pão da Vida e ter o testemunho do Espírito nos seus próprios corações. Vocês têm que ter arrependimento próprio, fé própria e sua própria santificação. Se não, vocês não serão melhor que a esposa de Ló.

Eu peço a Deus que todos os cristãos professos destes dias possam aplicar estas coisas aos seus corações. Que nós nunca esqueçamos que os privilégios sozinhos, não podem nos salvar. Luz e conhecimento, pregações fiéis, meios abundantes de graça e a companhia de pessoas santas são todos grandes bênçãos e vantagens. Feliz aqueles que os tem! Mas no final de tudo, há uma coisa sem a qual privilégios são inúteis: a graça do Espírito Santo. A esposa de Ló teve muitos privilégios; mas não teve a graça de Deus em seu coração.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

O Nome de Cristo


(Mateus 1:18-25)
J. C. Ryle (1816 – 1900)

Os Nomes conferidos ao nosso Senhor
Notemos os dois nomes conferidos a nosso Senhor, nestes versículos. Um deles é Jesus, o outro é Emanuel. O primeiro desses nomes descreve o seu ofício, o segundo, a sua natureza. Ambos são profundamente interessantes.

O Nome JESUS significa “SALVADOR”
Trata-se do mesmo nome Josué no AT. Foi dado a nosso Senhor porque “ele salvará o seu povo dos pecados dele”. Esse é o ofício especial do Senhor Jesus. Ele nos salva da nossa culpa do pecado, lavando-nos a alma em Seu próprio sangue expiatório. Ele nos salva do domínio do pecado ao conferir-nos, no próprio coração, o Espírito Santificador. Ele nos salva da presença do pecado quando nos tira deste mundo, para irmos descansar com Ele. E, finalmente, Ele nos salva das conseqüências do pecado ao nos proporcionar um glorioso corpo ressurreto, no último dia. O povo de Cristo é bendito e santo! Eles não são salvos das tristezas, da cruz e dos conflitos. Porém, são salvos do pecado, para todo o sempre. São purificados da culpa, mediante o sangue de Cristo. São habilitados para o céu mediante o Espírito de Cristo. Nisso consiste a salvação. Mas, aquele que se apega ao pecado ainda não é salvo.

JESUS é um nome que infunde muita coragem aos que vivem sobrecarregados de pecados.
Aquele que é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores poderia ter-se feito conhecido, com toda a legitimidade, por algum título mais pomposo. Contudo, não quis faze-lo. Os dirigentes deste mundo com freqüência se têm chamado por títulos como “grande”, “conquistador”, “herói”, “magnífico” e outros semelhantes. Mas o Filho de Deus contentou-se em chamar-se de “SALVADOR”. As almas que desejarem a salvação podem achegar-se ao Pai, com ousadia, tendo acesso por meio de Jesus Cristo, com toda confiança. Esse é o seu ofício, e nisso Ele se deleita – mostrar-se misericordioso. “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo. 3:17).

JESUS é um nome peculiarmente doce e precioso para aqueles que são crentes
Com freqüência, esse nome os tem beneficiado, quando o favor de reis e de príncipes teria sido ouvido por eles com pouco interesse. Esse nome tem-lhes dado a paz interior que o dinheiro não pode comprar. Esse nome lhes tem aliviado as consciências pesadas, conferindo descanso a seus corações entristecidos. O livro de Cantares de Salomão refere-se à experiência de muitos crentes, ao asseverar: “como unquento derramado é o teu nome” (Ct:1:3). Feliz é a pessoa que confia não meramente em vagas noções a respeito da misericórdia e da bondade de Deus, mas no próprio “JESUS”.

EMANUEL significa “Deus conosco”
O outro nome, que aparece nestes versículos, de maneira alguma é menos interessante do que aquele que já destacamos. Esse é o nome conferido a nosso Senhor em vista da sua natureza, como “Deus que se manifestou em carne”. Ele é chamado de Emanuel, ou seja, “Deus conosco”. Devemos cuidar para que sejam bem claras as noções que formamos sobre a natureza e a pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é um ponto que se reveste da mais capital importância. Deveríamos ter bem claro, em nossas mentes, que nosso Senhor é perfeito Deus tanto quanto perfeito homem. Se chegarmos a perder de vista esse fundamento da verdade, poderemos cair vítimas de temíveis heresias. O nome “Emanuel”, pois, é que se reveste de todo o mistério que o circunda. Jesus é o “Deus conosco”. Ele assumiu a natureza humana igual à nossa, em todas as coisas, excetuando somente a tendência para o pecado. Mas, embora Jesus estivesse “conosco” em carne e sangue humanos, ao mesmo tempo Ele nunca deixou de ser o verdadeiro Deus.

A Humanidade e a Divindade de Cristo
Quando lemos os evangelhos, por muitas vezes descobrimos que nosso Senhor era capaz de ficar cansado, de padecer fome e sede, como também podia chorar, gemer e sentir dor como qualquer um de nós. Em tudo isso podemos ver “o homem” Jesus Cristo. Percebemos a natureza humana que ele tomou para Si mesmo ao nascer da virgem Maria. Entretanto, nesses mesmos quatro evangelhos, descobriremos que nosso Salvador conhecia os corações e os pensamentos dos homens, exercia autoridade sobre os demônios, podia fazer os mais espantosos milagres apenas com uma palavra, era servido pelos anjos, permitiu que um dos seus discípulos O chamasse de “Deus meu” e, igualmente, disse: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo.10:30). E tudo isso, vemos “O Deus eterno”. Vemos aquele que “é sobre todos, Deus bendito para todo sempre.Amém” (Rm.9:5).
Você deseja dispor de um seguro fundamento para a sua fé e esperança? Nesse caso, jamais perca de vista a divindade do seu Salvador. Aquele em cujo sangue você foi ensinado a confiar é o Deus todo-poderoso. Toda a autoridade foi dada a Jesus Cristo, no céu e na terra. Ninguém poderá arrancar você da mão dEle. Se você é um verdadeiro crente em Jesus, não permita que o seu coração se perturbe e atemorize.
Você deseja contar com um doce consolo nas ocasiões de sofrimento e tribulação? Nesse caso, nunca perca de vista a humanidade do seu Salvador. Ele é o ser humano Jesus Cristo, que se deitou nos braços da virgem Maria quando era um pequenino infante, e que conhece os corações humanos. Ele deixa-se sensibilizar pelo senso das nossas fraquezas. Ele experimentou, pessoalmente, as tentações lançadas por Satanás. Ele precisou enfrentar a fome. Ele derramou lágrimas. Ele sentiu dor. Confie nEle o tempo todo, em todas as suas aflições. Ele nunca haverá de despreza-lo. Derrame diante dEle, em oração, tudo quanto estiver em seu ser, e nada Lhe oculte. Ele é capaz de simpatizar profundamente com o seu povo.
Que estes pensamentos se aprofundem em nossas mentes. Bendigamos a Deus pelas encorajadoras verdades contidas no primeiro capítulo do Novo Testamento. Esse capítulo nos fala de Alguém que salva “o seu povo dos pecados deles”. Porém, ainda não é tudo. Esse capítulo revela-nos que o Salvador é o “Emanuel”, o próprio Deus conosco; Deus manifesto em carne humana, idêntica à nossa. Essas são boas novas. São autênticas boas novas. Alimentemos os nossos corações com essas verdades, por meio da fé, juntamente com ações de graça.

Texto Extraído do livro Meditações no Evangelho de Mateus, de J. C. Ryle. 2ª Edição, 2002. Editora Fiel.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Limpando o Quintal de Nossa Casa

Luciano Hérbet
(Juízes 6)


Parece claro que Deus usava os povos vizinhos como instrumentos de disciplina para Israel. Seu grande amor para com os israelitas não permitia que os abandonassem em seus próprios pecados, mas utilizava desse meio para despertar a consciência dos israelitas quanto à Sua existência e seu cuidado. Na maioria das vezes, somente quando eles sentiam na “pele”, é que clamavam ao Senhor. Deus sempre os recebia e os acolhia, voltando a derramar sobre eles inúmeras bênçãos. Queridos, nós não precisamos chegar ao ponto da dor para clamarmos a presença do Senhor; precisamos desenvolver uma comunhão com Deus e desfrutar de sua maravilhosa companhia, e jamais desejaremos sair de sua presença.

Sempre existe alguém que nos dá o recado de Deus quando andamos por outros caminhos – o profeta que vem para nos exortar ou confrontar (não afrontar) biblicamente pode ser a igreja local, o pastor, pais ou amigos – o importante é que Deus sempre desperta as nossas mentes com a sua Palavra, de modo que nunca estamos “inocentes” quanto às nossas escolhas.


Aprendendo através de Gideão
Aprendemos algo muito bonito na história de Gideão: o nosso amado Mestre está sempre disposto a trabalhar em nossa vida. Jesus sempre vem ao nosso encontro. É interessante que o Verbo ou o Logos, ainda não encarnado aqui, contudo está ativo e diretamente agindo na história de seu povo. Ele aparece aqui como o Anjo do Senhor (manifestação teofânica, assim como apareceu a Abraão) para libertar o seu povo do jugo midianita através de Gideão.

A Bíblia não entra em detalhes, mas dá para supor que até o momento Gideão era um crente sem muito compromisso quanto às coisas do Senhor. Vejamos como no verso 13 a indagação de Gideão parece apontar um falta de relacionamento sólido com Iavé: “Ai, Senhor meu, se o Senhor é conosco, porque tudo isto nos sobreveio? E que é feito de todas as suas maravilhas...”. Esse questionamento quanto ao senhorio e presença de Deus na vida dos israelitas parece jogar a culpa de toda a desgraça que eles estavam vivendo no próprio Deus. Nos dias de hoje, muitos de nós culpamos a Deus por algum fracasso ou desilusão que venhamos a sofrer, e esse fato se expressa de várias maneiras, desde as nossas murmurações até a rebeldia declarada (desobediência) ao Senhor.

Nossa Suficiência em Cristo
Gosto muito dessa expressão, ela revela sinteticamente que nada é necessário fora de Cristo para as nossas vidas. Nenhuma novidade, nenhum movimento, nenhuma “segunda bênção” para nos fazer melhores crentes.
Um outro ponto de destaque aqui é o fato de que aos seus próprios olhos, Gideão era um covarde ou um fraco e incapaz. O medo dele era tanto que estava malhando o trigo no lugar onde se faz o vinho, provavelmente com medo de ataques midianitas, ele utilizava desse artifício como uma estratégia de se proteger. A Bíblia nos diz que apesar de seu medo, Deus o escolheu. Que lição maravilhosa temos aqui: O Senhor escolhe a Gideão para ser um líder de seu povo, apesar de seus tantos “ai, Senhor meu”. É justamente na força da presença de Deus que Gideão se torna em um homem de coragem, valoroso. Um verdadeiro líder é forjado pelo poder do Espírito de Deus. Aí está Gideão sendo transformado e capacitado pelo Espírito de Cristo. Portanto, o caminho para o sucesso na vida não está em nossas próprias capacitações, mas sim no “Eu hei de ser contigo”.
Fiquei bastante triste quando me deparei com um anuncio (e infelizmente abraçado pela maioria das igrejas batistas) de um seminário de capacitação de liderança cristã (The Global Leardership Summit), sendo que vários de seus preletores nem sequer são crentes, como o Sr. Bono Vox (Banda U2). Apesar de todo o engajamento social que pessoas como Bono, Bill Gates e outros podem ter, o que eles poderiam oferecer para os crentes num seminário para formação de líderes cristãos? Querem fazer da Grande Comissão um evangelho social do tipo Madre Tereza de Calcutá?

Limpando o quintal de casa – Santificação
Ao que parece, até o verso 21, Gideão ainda não tinha consciência que estava diante do próprio Jesus (o Anjo do Senhor). Inicialmente poderia ser para ele um profeta, mas diante daquelas palavras vivas e poderosas que inflamaram o seu coração, ele crê que são de origem divina e deseja entregar uma oferta. A cena seguinte faz Gideão se estremecer: após preparar a oferta, diante de seus olhos o próprio “anjo do Senhor” faz subir fogo sobre a rocha consumindo toda a oferta. O Mensageiro de Deus desaparece diante dele, que agora reconhece que estava diante do anjo do Senhor. Abertos finalmente os seus olhos, ele clama ao Senhor, temendo por sua vida. Confortado pela palavra celestial de que não morreria, Gideão então edifica um altar e o chama de “O Senhor é Paz”.

Deus convocou a Gideão para a sua obra, mas assim como Ele fez com Gideão, Deus quer fazer conosco; e para ingressarmos neste maravilhoso ministério, que é ser cooperador de Deus, precisamos antes limpar o quintal de nossa casa. Gideão tinha no seu quintal, na casa de seu pai, um ídolo. Qualquer coisa em nossa vida que tem se tornado um ídolo tem que ser retirado, e em seu lugar construir um altar para o Senhor. Não podemos permitir que coisa alguma ocupe o centro de nossas vidas, a não ser o próprio Senhor Jesus.
Podemos chamar esse processo de santificação, e somente assim é que podemos receber a unção que nos garante a vitória. Vamos deixar toda a impureza e pecado, para que sejamos revestidos pelo Espírito de Deus, e assim estaremos prontos para “tocar a trombeta” do avivamento. Meu querido amigo, Deus quer te usar no serviço de seu reino, mas a tua casa já estás limpa? Busque a santidade em sua vida, aprendendo acerca da vontade de Deus em sua Palavra (a Bíblia) e Deus mesmo te capacitará.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Amigos de Deus

Luciano Hérbet
Sl. 40; Gn.15:16,17
Geralmente, quando leio na Bíblia a respeito desses homens tão imperfeitos, mas de grande fé, eu fico realmente emocionado. Lembro-me de que quando criança a minha fé e a minha comunhão com Deus era algo extraordinário. Quero voltar a ter aquela mesma confiança. Digo isso, porque quando criança não possuímos receio algum ou nenhum tipo de vergonha em expressar a nossa fé onde quer que estivéssemos.
Podes imaginar a forma como Deus se envolvia com eles? Era um relacionamento bastante pessoal, de uma amizade impressionante: Deus comia com eles (no caso de Abraão, embaixo de um grande carvalho), sentava-se no meio deles e conversava naturalmente (claro que se trata aqui de manifestações teofânicas). Que grande comunhão! Abraão era amigo de Deus. Você consegue perceber nas narrativas bíblicas como Deus tinha prazer em Abraão? Deus permitia que esse homem escutasse (audivelmente) a sua voz, falava-lhe através de sonhos e chegou certa vez a aparecer "pessoalmente" (o Anjo do Senhor) pra ele. Também gostaria de ter uma amizade com o Senhor? Sentir realmente a Sua presença? Jesus nos promete exatamente isso: "...na casa de meu Pai há muitas moradas;(...)virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para onde eu estiver estejais vós também" (João 14:2,3). A melhor coisa que alguém pode ter não é o poder de Deus, nem tampouco as suas bênçãos e vitórias, o melhor presente para o ser humano é a pessoa de Deus.
Em muitas ocasiões em nossas vidas, nada é melhor do que a presença de um amigo ao nosso lado. Suas palavras, atenção e mesmo só a sua presença já nos serve de conforto e motivação nas horas difíceis. Agora, quanto mais a presença do grande Amigo. Ele mesmo disse: "Ninguem tem maior amor do que este: de dar alguem a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos..." (João 15:13,14a). Jesus Cristo, o nosso Salvador, é o nosso maior tesouro, a sua companhia é o de melhor que eu posso ter na vida. Jesus, fique comigo, assim como Tu ficavas com Abrão, o seu amigo.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Em Comunhão com Deus


Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda em minha presença e sê perfeito” (Gn.17:1)
Em Comunhão com DEUS
Dr. Luciano Hérbet
Dr. Marcos Martins
INTRODUÇÃO
Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando...” (Tg. 5:17).

Bem, a maioria dos cristãos sabe o que este grande profeta realizou para o Senhor na nação de Israel e quão profunda intimidade esse homem tinha com o seu Deus. Entretanto, as palavras de Tiago de que o profeta era um homem semelhante a nós, são aparentemente vistas sem alguma importância relevante, parece ter pouco significado para as nossas vidas. Por outro lado, nunca antes foi tão evidente o sentimento de exaltação humana como em nossa geração. A imagem de um supererói ou superastro nos fascina.
Vivemos o tempo das celebridades, e a nossa sociedade parece gostar disso e, infelizmente, no segmento dito evangélico não tem sido diferente. Hoje temos os superpastores, os supercrentes, os apóstolos. Líderes eclesiásticos que são exaltados por muitos cristãos da mesma forma que os incrédulos fazem com os seus “ídolos”. Tributamos a esse pequeno grupo de “iluminados” um maior acesso ao trono da graça e um privilégio exclusivo de que somente homens e mulheres assim podem ter uma intimidade maior com Deus. Nada há de verdadeiro numa concepção como essa.
Neste estudo traçamos um comentário a respeito de algumas personagens bíblicas que viveram intensamente na presença de Deus. Estas pessoas não eram nenhum supercrente, mas homens e mulheres comuns, que amaram o Senhor com todas as suas forças, dos quais este mundo não era digno. Nosso objetivo é ressaltar o fato de que homens e mulheres de hoje também podem ter uma comunhão maravilhosa com Deus. Cremos ser este um expressivo desejo divino, revelado nas Escrituras Sagradas: “Buscar-me-eís e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte; Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes” (Jr. 29: 13,14; 33:3). Apresentamos através da Palavra de Deus que o Senhor quer se tornar o nosso melhor amigo. Não há tesouro na vida mais valioso do que este. Andar com Deus é o melhor e mais fascinante projeto de vida.
Querido amigo(a), verdadeiramente Deus é o seu melhor amigo? Queres isto para ti? Desejas realmente a companhia de Deus e viver em sua presença? Se a tua resposta for um sim, então precisas conhece-lo para amá-lo profundamente, porque o que mais importa para as nossas vidas é que O amemos de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de toda as nossas forças. Boa leitura!

Nosso Conhecimento de Deus

L. Hérbet & M. Marins
Capítulo 1


Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor"; "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Os. 6:6; Jo.17:3).


Entendemos que a verdadeira espiritualidade de uma pessoa é a sua sincera comunhão com o Senhor. Não é a sua bagagem teológica ou ativismo na igreja, nem tampouco o conceito que outros possam ter dele ou os títulos que adquiriu. A medida da nossa espiritualidade é dada pelo conhecimento que temos de Deus que influencia ou modifica a nossa vida. O conhecimento de Deus é condição indispensável para o nosso relacionamento com Ele.
O fato de conhecermos ou não a Deus é que determina a nossa religião, que irá validar ou não o nosso cristianismo. O que estamos querendo dizer é que sem esse conhecimento é impossível ser um homem ou mulher espiritual. Contudo, precisamos entender primeiramente o significado bíblico para esse conhecimento.Para nós ocidentais, a palavra conhecimento traz um sentido de obter, adquirir informações, através de um “dessecamento” do objeto de estudo, a fim de dominá-lo. Para os orientais, o conhecimento é obtido através da experiência. Como um aprendiz que se torna um sábio ao observar e obedecer ao seu mestre. Para eles, a obediência caminha junto com o conhecimento, existindo uma ligação muito estreita entre elas.
Como somos ocidentais talvez não compreendamos claramente o sentido completo que a Bíblia quer dizer para conhecer a Deus.A palavra hebraica para conhecimento é yada ou a sua derivada da`at e sua equivalente no grego é gnoses, e no latim é scientia. Esta mesma palavra era usada no A.T. para descrever o momento mais íntimo entre um casal: “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e teve a Caim, e disse: Alcancei do Senhor um varão” (Gn. 4:1). O verbo conhecer foi utilizado aqui para demonstrar a união física e, de certo modo, também espiritual, tornando realmente o homem e a mulher em uma só carne. Cristo utiliza a figura do noivo e da noiva como símbolos de sua unidade com a igreja. Conhecer a Deus no sentido bíblico implica em ter comunhão com Ele. É desenvolver um relacionamento sincero, é ter intimidade com Deus.
Conhecer a Deus, portanto, não é obter informações a respeito dele, mas é algo muito mais profundo: é ter uma experiência com Ele, amá-lo e serví-lo. Veja o que nos diz a Bíblia em Provérbios 2:3-7: “E se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria; e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento”.
Infelizmente, o que observamos em nossos dias é que esse desejo ou procura de conhecer melhor a Deus está sendo raro entre os cristãos. Como conseqüência dessa falta de zelo existe um conhecimento superficial ou deficiente de Deus, que tem permitido que nossas mentes se conformem com o “espírito desse mundo”, fazendo com que a igreja esteja fraca e doente. Muitas vezes quando ocorre essa busca pelo conhecimento do Senhor, parece que se resume apenas a uma necessidade intelectual ou uma mera curiosidade ocasional. Uma busca do simples intelecto, desprovido de um relacionamento com Ele. Ah! Mas Deus não se deixa ser encontrado e nem conhecido pela curiosidade ou satisfação intelectual, porque Ele não se deixa ser conhecido por suposições vagas e falhas da mente humana.
Ele só pode ser conhecido pelo que Ele é, e nos termos que Ele mesmo estabeleceu e, não de qualquer maneira ou por qualquer meio. Deus se deixa conhecer pela sede apaixonada da alma, por uma alma que O anseia mais do que tudo na vida: “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr.29:13). Que grande e maravilhosa promessa nós temos! É aqui que se concentra a nossa vida cristã. Porque na verdade o cerne, a essência de toda a nossa religião é a relação pessoal que temos com Deus através de Jesus Cristo.
O CONHECIMENTO DE DEUS E A VIDA ETERNA
A vida eterna é ensinada por Jesus em João 17:3 como sendo o próprio conhecimento acerca de Deus. Passaremos a eternidade conhecendo os atributos, a grandeza e a majestade de nosso Senhor. O valor dos céus não é a eternidade livre de sofrimentos, e sim a própria presença de Deus que iremos desfrutar plenamente. Como pensas em herdar os céus, se aqui na terra não te preocupas em conhecer o teu Salvador? Quantos cristãos em nossas igrejas que nada ou pouco sabem a respeito de Cristo e do seu sacrifício redentor? Podemos estar correndo o perigo de há algum tempo estar freqüentando uma igreja evangélica e mesmo assim não estar em comunhão com Deus.
Talvez estejamos ativamente participando dos cultos, sendo dizimistas e contribuindo com ofertas regularmente, podemos até mesmo participar da ceia do Senhor ou exercer algum ministério na igreja, sem que espiritualmente estejamos unidos a Cristo. Ninguém percebe, nem o pastor ou seu cônjuge, mas a sua alma está em falta para com Deus.Se esta é a condição da nossa alma, precisamos desesperadamente dar atenção as palavras de nosso Deus: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força, não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor” (Jr.9:23 e 24a).
O tesouro mais precioso, a jóia de valor inestimável nesta vida é o nosso conhecimento de Cristo. Verdadeiramente felizes e abençoados são aqueles que podem dizer: “Cristo é meu e eu sou dele”. Queres também conhece-lo? Esta é a vontade de Deus para ti. Veja mais uma vez a sua promessa: “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração. E serei achado de vós, diz o Senhor” (Jr.29:13,14a). Cristo está nos preparando morada na própria casa do Pai, para que onde Ele estiver estejamos com Ele. Na carta do apóstolo Paulo aos tessalonicenses ele diz que Cristo virá nos buscar para estarmos com Ele para todo o sempre. Um encontro que jamais terá fim.
NOSSO CONHECIMENTO DE DEUS VEM PELA LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA E PELA ORAÇÃO
Quando buscamos a presença de Deus para as nossas vidas, através da meditação nas Escrituras sagradas e pela oração, Deus vai se revelando a nós de maneira especial. Não estamos apenas adquirindo informações a respeito dEle, mas cada revelação em sua Palavra vai tomando um sentido especial em nossas vidas. O Espírito Santo nos dá entendimento e como um bálsamo que vai sendo derramado sobre nós, começamos a entender ou discernir as coisas espirituais. São com olhos espirituais que vamos compreendendo cada promessa na Bíblia, crendo confiantemente e aprendendo a amar cada vez mais o nosso Deus e Salvador.Em Hebreus 10:22 lemos “Aproximemo-nos, com sincero coração, em inteira certeza de fé”.
Deus nos convida a aproximarmo-nos dEle. Podemos ter uma maravilhosa relação de amizade com o Criador. Quando aquela mulher acometida do fluxo de sangue se aproximou de Jesus e tocou as suas vestes, ela não foi repreendida, pelo contrário, ela foi abençoada. Um exercício muito proveitoso quando estivermos lendo a Bíblia é ir grifando cada adjetivo ou característica de Deus, bem como cada uma de suas promessas. Em nossas orações, adoraremos o Senhor pelo o que Ele é e por seus atos, estaremos louvando-O através das qualidades e atributos que aprendemos na Bíblia a seu respeito. Jeremias 33:3 nos convida a clamar ao Senhor : “Clama a mim, e responder-te-ei,e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes, que não sabes”. O salmista também nos revela: “O segredo do Senhor é para os que o temem, e Ele lhes fará saber a sua aliança” (Sl.25:14).
Somente através da oração e da leitura da Bíblia é que podemos conhecer as maravilhas de Deus. Mas a maioria de nós está muito “ocupada” para investir de seu precioso tempo na presença do Senhor. São muitas as desculpas encontradas por aqueles que querem se justificar, mas em nossa opinião esses argumentos apenas mascaram a falta de um verdadeiro amor por Deus. Queres andar em sua presença? Então precisas conhece-lo pela leitura da Bíblia e pela oração constantes.Percebemos o grandioso amor da Trindade excelsa para conosco, em cada ato revelado nas Escrituras.
Não temas, querido amigo, em aproximar-se do Senhor. Apresente-se em oração diante dEle, com humildade, reconhecendo a sua própria pequenez. Diga a Ele o quanto está desejoso de conhece-lo, de amá-lo e servi-lo. Deus sondará o teu coração, se o encontrares sincero, há uma promessa na Bíblia que nos diz que “a intimidade do Senhor é para aqueles que o temem” (Sl.25:14). É através da oração secreta em teu quarto, a sós com Ele, e lendo a sua Palavra que serás enriquecido em tua alma; aprenderás sobre o Senhor e receberás orientação e provisão necessárias para a tua vida, pois nos declara a sua palavra em 2 Pedro 1:3: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude”.
NOSSO CONHECIMENTO DE DEUS INEVITAVELMENTE PRODUZ TRANSFORMAÇÃO EM NOSSAS VIDAS
Há algo de errado na vida do cristão que confessa seguir a Jesus, mas se comporta ou age de forma contrária aos princípios bíblicos. Quando o nosso modo de vida (comportamentos, atitudes, escolhas, etc) não condiz com aquilo que professamos crer (nossa religião), damos um testemunho infiel ao Evangelho de Cristo, e nos tornamos instrumentos de Satanás e somos usados como armas contra os descrentes, fazendo-os permanecerem em seu estado de incredulidade.
J. C. Ryle, em seu livro Meditações no Evangelho de Mateus, fala a respeito da seriedade deste assunto. O grande perigo que essas pessoas estão correndo. Jesus afirma que os escândalos seriam inevitáveis, mas ai daquele por quem o escândalo virá (Mt. 18:1-14). Se tens vivido de forma dissoluta, em rebeldia à vontade do Senhor, abrigando em seu coração algum pecado, peço-te que o abandones agora. Deixe os teus pecados e arrepende-te, pois Deus o perdoará e o recolherá em seus ternos braços. Ainda que precises ser disciplinado, aceite a correção do Senhor, pois Ele assim o faz porque o ama, porque o tem como filho: “Não desprezes a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, e disciplina a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?” (Hb. 12:5-7).
Deus nos chama à santidade: “Sede santos, porque Eu sou santo” (1 Pe.1:16). Quando temos uma experiência de salvação com Cristo, entendendo o que Ele fez por nós, como deu a sua própria vida, só podemos nos render totalmente a Ele. O nosso amor por Cristo se expressa basicamente através de nossa obediência à sua Palavra. Cristo se torna o nosso maior exemplo. A Bíblia nos diz que o Espírito Santo capacita o crente para uma vida de santidade, mas cabe a este submeter-se à direção do Espírito, tornando-se um servo obediente. O nosso caráter é transformado pelo poder da Palavra de Deus.
Em um de seus artigos, o Pastor Ed René Kivitz diz que a vida cristã não é difícil, e sim impossível para o homem vivê-la mediante seus próprios esforços. Concordamos plenamente com ele. Somente a graça de Deus nos possibilita viver a vida cristã. Há uma operação especial do Espírito Santo na vida do homem e da mulher que se submetem ao senhorio de Cristo. Sem o poder de Deus atuando na vida da igreja, esse cristianismo se torna em um mero conjunto de regras morais e éticas, determinando o que pode e o que não pode ser feito. Em Lucas 17:1-10, quando os discípulos ouviram a Jesus falando da seriedade acerca da vida cristã, somente puderam lhe pedir uma única coisa: fé. “Senhor, acrescenta-nos a fé”. Somente através da fé obteremos vitórias em nossas vidas. A vida em santidade só é alcançada através da fé, pois o autor da carta aos hebreus nos diz que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb.11:6).

Servos do Deus Vivo

L. Hérbet & M. Martins
Capítulo 2


Enoque e Noé

E andou Enoque com Deus; e não se viu mais porquanto Deus para si o tomou”; “ Noé porém achou graça aos olhos do Senhor. Noé andava com Deus” (Gn.5:24 e 6:8,9).

A linda história desses dois homens nos mostra que é possível ter uma comunhão maravilhosa com Deus. Acreditamos que a fé de Noé em seu Deus se deve muito em parte daquilo que ele aprendeu a respeito de seu bisavô. Enoque foi tomado por Deus 69 anos antes de Noé nascer, todavia Noé deve ter crescido ouvindo falar da grande amizade entre seu bisavô e Iavé (Deus).
Como é importante para a formação espiritual de nossos filhos que eles vejam em nós, que somos pais, um sincero amor por Cristo. Eu (Luciano), sou devedor aos meus avós, porque por meio deles eu aprendi a amar ao Senhor.
A Bíblia fala de Matusalém e Lameque, apenas que tiveram filhos e filhas. Acreditamos que eles eram homens tementes a Deus, todavia a comunhão que eles tiveram com Deus não era comparada a de Enoque e Noé. Muitos cristãos hoje podem ser comparados com Matusalém. São homens e mulheres sem nenhuma expressão no reino espiritual, porque estão mais envolvidos com o sucesso da vida terrena do que com as coisas espirituais.Podemos ter a companhia de pessoas brilhantes e destacadas em nossa sociedade, mas se o nosso companheiro de todas as horas não for o Senhor, então pouco poderemos fazer pelo reino de Deus. Somente pessoas que andam com Deus são capazes de impactar verdadeiramente a vida de outras pessoas. Já parou um pouco para pensar sobre esse assunto? Que coisa fantástica é o homem andar com Deus!
Você deseja uma comunhão com o Senhor como a de Noé e de Enoque ou prefere se acomodar num relacionamento quase sem nenhuma intimidade como a de Matusalém e de Lameque?Há pessoas que amam ao Senhor verdadeiramente e que estão prontas a entregarem as suas próprias vidas em seu favor. Não temem a semelhança de Noé de passar pelo “ridículo” diante da sociedade por manter sua fé e obediência ao Senhor. A arca foi motivo de zombaria e escárnio. Quantos jovens por amarem ao Senhor sofrem constantemente zombarias de seus professores e colegas nas universidades. A pureza de seus corpos, a integridade em seus relacionamentos e a firmeza em suas atitudes, são as “arcas” desses jovens e adolescentes. Contudo, eles andam com Deus e glorificam o seu Nome. A coroa está reservada para todo aquele que ama ao Senhor.

Comunhão Verdadeira

Luciano Hérbet

(Daniel 1- 3)

Quem não fica maravilhado diante dessa história sobre a vida desses quatro homens amigos de Deus: Daniel, Sadraque, Mesaque e Abdnego (leia primeiramente o texto bíblico) . Mas precisamos sair da contemplação apenas, de ficar somente na admiração de suas vidas, e perceber que verdadeiramente o Senhor continua o mesmo e deseja que tenhamos uma comunhão assim com Ele. O Deus vivo de Daniel é o nosso Deus. Peço constantemente a Deus que eu também O tenha como eles O tiveram.
Minha fé ainda é pequena, mas quero que cresça no Senhor a cada dia. Minha comunhão ainda é frágil, mas quero que o Senhor seja para mim o “Amigo mais chegado que um irmão”. A maior riqueza que uma pessoa pode ter é a amizade com Deus. O Senhor tem prazer nisso. Que bem pode ser maior do que este? Todos os crentes, até mesmo o mais novo na fé, ou aquele de menor posse nesta terra, são as pessoas mais ricas que esse mundo já viu. Jesus é o maior e o melhor de todos os tesouros. Ele é a riqueza de Deus para nós (Colossenses 1:26,27).

Daniel e seus amigos recusaram os deleites (manjares) do rei Nabucodonosor (Babilônia), porque eram “contaminados” espiritualmente – dedicados aos deuses – como eles, precisamos nos manter puros, em santidade, recusando os deleites mundanos. Em toda a nossa vida precisamos rejeitar a tudo aquilo que não consiste ser da vontade de Deus, ainda que nos custe muito. Nossa fé aumentará e nossa comunhão com o Senhor será mais forte, quando o buscarmos incessantemente em oração e em sua Palavra (a Bíblia). Precisamos estar dispostos a obedecê-lo em tudo.
Muitas dificuldades virão, o inimigo de nossas almas se levantará furiosamente contra nós, poderemos correr perigos, ser insultados, humilhados e perseguidos. Deus pode nos livrar porque Ele tem todo o poder, mas se Ele não quiser, ainda assim O serviremos e o amaremos até o fim. Que Deus seja glorificado em nossas vidas. A Ele todo o nosso amor e a nossa própria vida, pois Ele mesmo não deu a sua própria vida como preciosa quando veio morrer na cruz por nossos pecados (João 3:16).