Tradução

terça-feira, 20 de março de 2007

O Mal Causado pelo Hipercalvinismo e pelo Antinomianismo


Charles Spurgeon


O verdadeiro ministro de Cristo sente-se impelido a pregar a verdade completa, porque ela, e somente ela, pode satisfazer as necessidades do homem. Quantos males este mundo tem visto através de um evangelho distorcido, mutilado, modelado pelo homem!Quantos danos têm sido causados às almas dos homens por homens que só têm pregado uma parte, e não todo o conselho de Deus! Meu coração sangra por muitas famílias sobre as quais a doutrina antinomiana conquistou o domínio.

Eu poderia contar muitas historias tristes sobre muitas famílias mortas em pecado, cujas consciências foram cauterizadas com ferro quente pela fatal pregação a que deram atenção. Conheço convicções suprimidas e desejos sufocados pelo sistema destruidor de almas que tira a humanidade do homem e o torna não mais responsável que o boi. Não posso imaginar instrumento mais apto, nas mãos de satanás, para arruinar as almas do que o ministro que diz aos pecadores que não é dever deles arrepender-se dos seus pecados ou crer em Cristo, e que tem a arrogância de dizer-se ministro do evangelho, apesar de ensinar que Deus odeia alguns homens infinita e imutavelmente por nenhuma outra razão senão simplesmente porque decide fazê-lo.

Ó, meus irmão! Queira o Senhor salvar vocês da voz do encantador e mantê-los surdos para a voz do erro!Até nas famílias cristãs, quanto mal um evangelho distorcido produzirá! Já vi o jovem crente, recém – salvo do pecado, feliz no período inicial da sua carreira cristã e andando humildemente com o seu Deus. Mas o mal insinuou-se, disfarçado por um manto de verdade. O dedo da cegueira parcial foi posto sobre os seus olhos, e apenas uma doutrina podia ser vista. Via – se a soberania, não porém a responsabilidade. O ministro outrora amado, era odiado; aquele que tinha sido honesto em pregar a Palavra de Deus era considerado como o maior refugo. E qual foi o efeito? Justamente o inverso do que é bom e generoso. O fanatismo usurpou o lugar do amor; a mordacidade, passou a viver onde uma vez houvera caráter amável.

Eu poderia apontar para vocês inumeráveis casos nos quais a insistência numa só doutrina peculiar levou os homens a um excesso de fanatismo e de rigor estreito. E quando um homem chega a estar nessa posição, ele está bem preparado para cometer qualquer espécie de pecado para o qual praza ao diabo tentá-lo. Há necessidade de que seja pregado o evangelho completo, ou, se não, o espírito, mesmo dos cristãos, fica desfigurado e defeituoso. Conheci homens que eram diligentes por Cristo, labutavam com ambas as mãos para conquistar almas para Cristo; e, de repente, esposaram uma doutrina particular, e não a verdade completa, e daí em diante mergulharam na letargia. Por outro lado, onde os homens só tomaram o lado pratico da verdade e desprezaram o lado doutrinário, muitos e muitos crentes professos se precipitaram no legalismo; falavam como se devessem ser salvos pelas obras, e quase esqueceram a graça pela qual foram chamados. São como os gálatas; foram enfeitiçados pelo que ouviram.

O crente em Cristo, se quiser manter-se puro, santo, caridoso, semelhante a Cristo, só será mantido assim por uma pregação da verdade completa, como se vê em Jesus. E quanto à salvação dos pecadores, ah, meus ouvintes, jamais poderemos esperar que Deus abençoe o nosso ministério para a conversão dos pecadores, a não ser que preguemos o evangelho de modo amplo e geral. Se eu tomar apenas uma parte da verdade e insistir nisso, à exclusão de todas as outras , não posso esperar que o meu Mestre e Senhor me abençoe. Se eu pregar como Ele quer que eu pregue, certamente Ele honrará a palavra; Ele nunca a deixará sem o Seu testemunho vivo. Mas basta que eu imagine que posso melhorar o evangelho, que posso torná-lo coerente, que posso vesti-lo e fazê-lo parecer mais belo, verei que o meu Mestre e Senhor se foi e que nas paredes do santuário está escrito Icabô (Icabode). Quantos são mantidos na escravidão por serem negligenciados os convites do evangelho!

Fonte: Spurgeon Versus Hipercalvinismo A Batalha pela Pregação do Evangelho.
Editora PES.

domingo, 18 de março de 2007

Carta de Jonathan Edwards para Whitefield

À George Whitefield:

Northampton em New England, 12 de fevereiro de 1739/40,
Reverendo Senhor,

Meu pedido é que, em seu plano de viajem através da Nova Inglaterra no próximo verão, lhe agrade vir visitar Northampton. Espero não lhe seja completamente novo que desejo vê-lo e ouvi-lo neste lugar; mas pude compreender, do que tenho ouvido, que você está entre os que são assistidos pelas bênçãos dos céus aonde quer que vá: e tenho grande desejo, caso seja a vontade de Deus, que a benção que assiste sua pessoa e obra possa descer sobre esta cidade, e possa entrar em minha própria casa, e que eu possa recebê-la em minha própria alma.

De fato estou temeroso que você seja desapontado na Nova Inglaterra, e tenha menos sucesso aqui do que em outros lugares: temo que esta terra em que habitamos, que foi agraciada com luz, que muito desfrutou do evangelho, que foi saturada dele, e o menosprezou, seja mais endurecida que a maioria dos lugares por onde você pregou. Mesmo assim espero no poder e na misericórdia de Deus, que se mostraram tão triunfantes pelo sucesso de seus labores em outras partes, que ele enviará, até mesmo para nós, uma benção por meio de ti, embora não sejamos merecedores dela. Espero ver, caso Deus preserve minha vida, algo dessa salvação de Deus na Nova Inglaterra, a qual ele já começou, num mundo mau, tenebroso e miserável e na mais culpada de todas as nações.

Foi com refrigério de alma que ouvi de alguém levantado na Igreja da Inglaterra para reavivar as doutrinas misteriosas, espirituais, desprezadas e explosivas doutrinas do evangelho, e cheio de um espírito de zelo pela promoção da verdadeira piedade necessária, cujos labores têm sido atendidos com tal sucesso. Louvado seja Deus que tem feito isto! Que é contigo, e o ajuda, e faz as armas da tua milícia poderosas. Vemos que Deus é fiel, e nunca se esquece das promessas que fez à sua igreja; e que ele não deixará que o pavio que fumega se apague, mesmo quando as águas parecem tê-lo sobrepujado; ele irá reavivar a chama novamente, mesmo nos tempos mais tenebrosos. Espero que este seja o amanhecer de um de maravilhoso poder de Deus e de sua graça para os homens. Tomara venhas, reverendo senhor! e possa Deus estar cada vez mais abundantemente contigo, que a obra de Deus possa ser levada adiante com a benção sobre seu trabalho, com aquele rápido progresso que tem existido até aqui, e que ela se expanda numa maior extensão, e se estenda mais e mais adiante, com uma medida de poder irresistível derrubando toda oposição! E que as portas do inferno jamais prevaleçam contra você! e possa Deus enviar mais trabalhadores de igual espírito para a sua seara, para que o reino de Satanás trema, e seu orgulhoso império caia por terra, e o reino de Cristo, o glorioso reino de luz, santidade, paz e amor, possa ser estabelecido de um extremo a outro da terra! Minhas afetuosas saudações ao Sr. Seward: Espero vê-lo aqui com você.

Acredito que posso me aventurar a dizer que o que tem sido ouvido sobre seus labores e sucessos não foi ouvido com maior atenção em nenhum lugar na Nova Inglaterra do que aqui, ou recebido com maior crédito. Portanto espero que tenhamos a oportunidade de ouvi-lo atentamente. O caminho de Nova Iorque a Boston através de Northampton é um pouco mais distante do que o menor que existe; e penso que conduz a uma parte populosa do país como nenhum outro. Desejo que você e o Sr. Seward venham diretamente para minha casa. Considerarei isto um grande favor e benefício da providência ter a oportunidade de receber tais convidados sob meu teto, e ter algum contato com tais pessoas. Temo que seja demais para mim desejar ser lembrado de forma particular em suas orações, quando considero quantos milhares já fizeram o mesmo pedido, de tal modo que não se possa mencionar a todos; e estou longe de pensar que mereço ser distinguido. Mas ore, senhor, deixe seu coração ser elevado a Deus por mim entre os outros, para que Deus me conceda tanto do bendito Espírito quanto ele lhe concedido a você, e para que me faça instrumento de sua glória .
Eu, reverendo senhor, que não mereço ser chamado teu conservo,
Jonathan Edward.

Traduzido por Felipe Sabino (retirado do site
http://www.monergismo.com/)

sábado, 17 de março de 2007

O "Espírito" Laodicense e o Movimento de Crescimento de Igrejas

M. Martins


Laodicéia: cidade da província romana da Ásia Menor (hoje, atual porção da Turquia Asiática) edificada sobre sete montes, no rio Lico, famosa pelos amplos muros, cujo nome lhe foi posto por Antíoco II em homenagem à sua esposa, Laodice. Segundo Orlando Boyer¹, 'a cidade foi destruída por um terremoto em 62 A.D. e reconstruída por seu próprio povo, o qual se orgulhava de o fazer sem pedir auxílio do estado'. Era, portanto, uma das cidades asiáticas mais prósperas, cujas riquezas provinham da 'excelência de suas lãs'¹. 'Era uma das cidades mais ricas de toda a Ásia e o centro bancário mais importante da época, onde também eram cunhadas (fabricadas) as moedas . Muitos judeus viviam lá. A cidade também tinha uma escola de medicina, onde foi descoberto um pó (colírio) para a cura de doenças nos olhos. Perto da cidade, havia um grande número de fontes de águas termais (mornas), desagradáveis para beber e que levavam ao vômito quem as bebesse assim. As ovelhas, criadas na região, produziam a lã mais fina conhecida na época, na cor preta. A partir dela, eram feitos vestidos luxuosos e tapetes'².


Segundo consta de Colossenses 4:16, o apóstolo Paulo enviou uma epístola à igreja desta cidade orientando aos colossenses que também a lessem. De uma simples leitura de Apocalipse 3:14-22, vemos que a igreja laodicense refletia a riqueza e o orgulho da cidade: 'Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta' (3:17a). Porém Jesus refere-se a ela da seguinte forma: 'e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu' (3:17b). É importante notar como Jesus toma o exemplo das águas mornas de Laodicéia para demonstrar reprovação às suas obras: 'Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca' (3:15-16). Mas Ele não os deixa sem uma esperança: 'Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te' (3:18-19).


Laodicéia é o retrato da maioria das igrejas dos nossos dias: é uma igreja rica e que de nada sente falta materialmente. Entretanto, é uma igreja espiritualmente 'morna' e pobre, que não consegue ver a crescente apostasia e os desvios doutrinários a que está sendo conduzida. Infelizmente, a cegueira da busca de prosperidade e crescimento a qualquer custo é a marca dos tempos atuais. A sociedade busca isso, as empresas buscam isso, as pessoas buscam isso... E assim a igreja da nossa era retrata essa infatigável corrida na busca do sucesso pessoal e da opulência, com prejuízos imensuráveis à sã doutrina e ao próprio evangelho, cujos valores são relegados a um segundo (para não dizer último) plano. Para que cumprir o IDE se agora já podemos oferecer diversos atrativos para conduzir as pessoas às igrejas? Para que pregar o evangelho, se temos nas mãos as práticas mercantilistas de crescimento de igreja?


É desolador ver esse quadro de crescente apostasia e mundanismo dentro das igrejas. O pior ainda é ver as antigas denominações, outrora incansáveis defensoras da pureza e simplicidade do evangelho de Cristo e da sã doutrina, sendo influenciadas pelo espírito laodicense de crescimento a qualquer custo (ou melhor: inchaço) e pouco compromisso com a Palavra de Deus. Creio que essa situação seja irreversível, mas espero alcançar alguns poucos corações com um clamor bíblico: ARREPENDA-TE! Ouça já a voz daquele que diz: 'Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas' (Ap. 3:18). Amém!
Autor: Marcos A. F. Martins

NOTAS:
¹ Pequena Enciclopédia Bíblica, Editora Vida, p. 375.
² Cf. Reinaldo M. Lüdke (in: http://www.ielb. org.br/pem/ cadernos/ caderno14/ estudo10. html).

quinta-feira, 8 de março de 2007

Amor que Escolhe

Primeiramente a bíblia diz que Deus é amor e que ele não tem prazer na morte de ninguém, mas não é porque Deus é amor que iremos presumir com nossas mentes pequenas que Deus não é justiça também. Ele não salva ninguém contra a sua própria vontade e não condena ninguém injustamente. Aquele que há de ser salvo tem que querer ser salvo, todavia com isso não estamos dizendo que o tal por si só quis ser salvo, estava cego, e agora por um milagre da graça passou a ver e querer a salvação para si, como um mendigo que recebe aquilo de que não faz jus, e por gratidão ama a Aquele que tão graciosamente o abençoou. Vemos também que Deus não deve nada a ninguém, pois se Ele não salvasse ninguém estaria exercendo um direito que só Ele tem.

Não devemos ficar admirados com o fato de Deus salvar alguns e deixar com que outros justamente pereçam, mas devemos nos admirar sim do fato de Deus salvar, nem que seja uma só alma, pois se Deus resolvesse salvar, por exemplo, um só dos filhos decaídos de Adão já seria o bastante para reconhecermos que Ele agiu com misericórdia e amor. Se Deus quis por seu coração em alguns somente, quem somos nós para dizer que isso é errado? Pois se Deus condenasse a todos estaria sendo justo. Agora se Ele ama a homens que não merecem nada, por que censurar se de todos Ele não amou todos? Não nos é melhor chamá-los de agraciados, e milagres do amor de Deus que os amou de maneira incompreensível?
Talvez você esteja se perguntando por que somente alguns, se é verdade que todos nada mereciam. Tudo bem! Mas te pergunto: Não seria pior se Deus resolvesse não salvar ninguém? No caso do ímpio Deus não precisa fazer nada para que ele vá para onde está contribuindo ir. Esse nada da parte de Deus para com o ímpio é um nada mais do que justo. Deus predestinou "sim" homens e mulheres para a Salvação, tornando os santos no presente, por seu Espírito. Agora pergunte para o ímpio se ele que ser santo! Claro que não quer. Então ele não pode criticar uma doutrina que diz que Deus de antemão escolheu sua família, pois ele, o ímpio, não quer ser membro de uma família de santos. Em nenhuma parte das Escrituras há uma afirmação de que Deus salva homens e mulheres “porque eles” são santos, mas sim porque Deus graciosamente os tornou santos e nem que é questão de justiça entre Deus e diretamente o homem, mas justiça entre Deus e Cristo, muito menos que diretamente e independente de Cristo Deus salva pela justiça do homem o homem, mas sim que é questão de misericórdia, porque se fosse questão do que é justo ninguém seria salvo.
Pergunto-te, tens tu, independente de Cristo algo que o recomende a Deus? Você pode afirmar que sem o Espírito buscou a Deus em oração? Não devemos inconscientemente negar a necessidade de um Salvador que salva aqueles que não podem de outra maneira se salvarem. Sinto muito com a incoerência e ignorância de muitos para com as Escrituras, mas os será sábio reconhecer que estavam errado e cegos para com a Justiça de Deus, a qual Ele sozinho providenciou por que se fica-se a nosso encargo providenciá-la nunca que a conseguiríamos pois a Lei divina requer obediência perfeita e nós sabemos que não somos perfeitos. Se a graça não salva o que então me salvará? Como poderei me orgulhar diante de Deus com meus trapos de imundícia? Como posso negar que me encontrava em trevas, quando meu espírito estava morto para com as coisas divinas? Como negarei que sou um milagre, uma obra peculiar do Espírito Santo?
Há este orgulho que quer que eu negue que Deus me buscou primeiro antes de eu buscá-lo, mas como posso me render tão facilmente diante de tantas evidencias de que se Deus não me atrai-se a si eu nunca que o teria escolhido? É melhor por o orgulho de lado e reconhecer a misericórdia, mas se a misericórdia depende de mim já não é misericórdia salvadora e sim algo conquistado por mim, pois se eu afirmar que eu a alcancei por meus méritos, será melhor chama lá de recompensa e não de misericórdia.
Autor: Flávio Teodoro